20/01/2014

||| não digam mais o nome daquela coisa...


||| ... as escolas são, dos espaços da administração pública os que concentram mais licenciados, mestrados e doutorados por metro quadrado. curioso. são, no entanto, os que menos resultados em termos científicos partilham no seu interior ou mesmo para fora do espaço da comunidade escolar. salvo algumas (crescentes, e ainda bem) excepções isto assusta-me. raramente se sabe o que se faz numa escola. de tempos a tempos uma notícia na comunicação social prova que há mais vida para além dos exames, testes e afins. mas uma visão estruturada da escola enquanto espaço de ciência, experimentação e conhecimento ainda está longe de se ver. a razão é simples. chama-se inutilidade. cercados pela inutilidade de procedimentos burocráticos cada vez mais temos vontade, tempo ou recursos para construir e partilhar a ciência que (obviamente) habita o espaço escolar. e isto empobrece a escola. empobrece os alunos. empobrece os professores. empobrece o futuro. e quando falo em ciência o que poderia dizer da arte e da cultura. tanto mais. contrariar isto é sempre um risco. porque partilhar experiências e conhecimento é também partilhar as falhas, o processo e o crescimento das ideias que podem gerar saberes novos. e para isso ainda não estamos verdadeiramente preparados. talvez o futuro nos traga essa necessidade em forma de qualquer coisa claramente definida. tornar a escola num lugar de conhecimento e aprendizagem partilhada para fora e dentro da comunidade escolar tende a tornar-se urgente sob o risco da escola deixar de o ser e passar simplesmente a ser uma instituição de reprodução do que outros dizem ser a realidade que deve ser conhecida. e já estivemos nesse lugar. lembrar isso é preciso. urgente, mesmo. para que a escola seja escola e não outra coisa qualquer em que se está a tornar...