10/01/2014

||| não me diga que não sabe...


|||... ó professor, não me diga que não sabe. não, não sei. não sabe mesmo? não. mas vou aprender. disse. e naquele momento passou-me pela cabeça a teoria de que o professor deve ser um general da autoridade. um mestre no exercício de gerir a sua alta competência no domínio dos outros. dos vinte e muitos outros. não era uma pergunta inocente. era uma pergunta de confronto. qualquer professor já teve uma situação destas. em que o confronto não é violento. é inteligente. é de descrebilização da autoridade pelo conhecimento. de todas as formas, a mais curiosa. mas vou aprender, disse eu. parei a aula, sentei-me ao lado do meu aluno. pedi que me fizesse aprender. e conversámos. no final disse para os restantes vinte e muitos: sabem há no exercício da argumentação para desconstrução da autoridade uma falácia [as minhas palavras não foram estas, estas são para aqui]. a falácia de quem sabe, sabe ensinar ou explicar. ou que o saber é uma arma. uma pedra. um objecto que se pode atirar para o outro tropeçar e com isso sorrirmos por breves instantes. é que o saber é o exercício máximo da liberdade. qualquer pessoa pode saber. aprender. basta querer. foi o que fiz. posso aprender com os outros, com os livros ou de qualquer outra forma. mas fica sempre imensamente mal usar o conhecimento como arma. porque é absolutamente estúpido pensar que outra pessoa não pode, num simples gesto de querer saber, perguntar. e deixei de lado aos arautos da autoridade tudo o que tinha pensado sobre isso. sou um professor que não acredita na autoridade concedida. acredita no respeito conquistado. e foi isso que fiz e consegui naquele momento.