02/01/2014

||| nem sempre há algo de novo no tempo que corre...


||| ... neste tempo de pausa há sempre um estranho lugar habitados por mim, como professor e pelos meus alunos, enquanto pessoas. sempre pensei na importância deste tempo. é o lugar do desencontro. o lugar de regresso. eles às famílias, amigos, tempos e vivências fora da escola. ao seu lugar de guarda. de reserva. de desconhecimento para mim que sou só o seu professor e tenho só essa função. mas penso nisso. porque deste lado o mesmo acontece. habito conversas diferentes. não falo de aulas, nem de aprendizagens, nem de nada disso. um desligar lento. de tempos a tempos falo deles. em conversas de amigos ou família. daquele aluno que canta, daquela actividade que fizeram juntos, daquela aluna que quer ser grande antes de tempo ou que o tempo de hoje já é pequeno demais para ela. falo deles mas não habitamos esse espaço comum que a tudo dá sentido. é essa a importância da escola. o nosso lugar comum. o nosso espaço de sentido. de significado. e o regresso está para breve. renovo o pensamento que não serei o mesmo. nem eles. isso é muito bom. não poderemos recomeçar onde deixámos tudo. teremos que começar de novo. agarrar o que já é comum mas recomeçar. e recomeçar é mesmo começar outra vez. nenhum professor deve nunca dar como adquirido que tudo o que viveu num determinado tempo com os seus alunos está lá. pode não estar. pode ter sido perdido. ter sido transformado. ter sido esquecido ou relembrado. contado e recontado. é esse o poder do tempo. e dos lugares que somos...