28/01/2014

||| no centro do universo está o que não sabemos...


||| ... ao terminar uma aula olhei para os meus alunos e pensei que não os sei preparar para o futuro com aquilo que me pedem para lhes ensinar. é algo estranho. sou professor de uma disciplina estranha. quase esquecida. a história tem hoje um peso turístico. vamos até lá para ver como foram os outros que afinal somos nós mas não somos porque somos hoje muito mais do que fomos. será? mas essa discussão não é para agora. para agora e aqui é mesmo só o registo dessa sensação. do que me dizem ser oficialmente válido para um jovem estar preparado para o futuro eu sentir que não é. uma parte, de facto, não me parece ser. e depois eu pensar. é perigoso quando um professor não se limita a reproduzir o que oficialmente lhe indicam como obrigação a cumprir. quando um professor pensa. e pensa se o que ensina ainda é válido. é actual. porque o ensino deve preparar uma pessoa em construção para o futuro mesmo quando não sabemos muito bem como esse mesmo futuro será. e penso um pouco mais nessa sensação estranha. do pensar que sei o que podia ensinar e não estou a ensinar porque as horas são poucas, os dias são poucos, o programa é imenso. então mudo. foco-me no que tenho. o que tenho neste momento é sempre o melhor que podia ter. faço desta uma premissa relevante. não é desculpa. não arranjo desculpas. então se não posso [e posso] mudar o que ensinar mudo a forma. nisso, na minha sala de aula, não entram as regras oficiais. estou lá eu e eles. e ninguém me pode proibir de ensinar pelas formas mais absurdas ou reais que me apetecer. a minha forma. e pela forma também se ensina muita coisa. o como é tão importante como o quê e o porquê. e por vezes fica mais dessa coisa que se vê do que aquilo que outros julgam útil. e penso nisto, nestes tempos que correm tão estranhos...