15/01/2014

||| no fundo do poço há qualquer coisa...


||| ... as regras de um sistema são estranhas. são regras. normas. emanadas muitas vezes por confronto com uma realidade. muitas vezes, após. muitas vezes, sem suporte. ser professor neste sistema é algo estranho. porque há uma contradição clara. entre a escola ser um lugar de desenho do futuro e o sistema ser um estranho lugar do presente. e somos apanhados neste emaranhado de realidades. eu professor e eles alunos. trinta alunos numa sala. vezes um número de turmas cada vez maior. e metas. a atingir. e um sistema que se alimenta de falta de confiança e por isso de papeis para justificar cada passo dado, cada palavra dita. e uma escola transforma-se numa representação do que será o tempo depois do tempo passado naquele lugar. é mais uma etapa. o objectivo não é aprender. o objectivo é terminar a escolaridade. aprender é um acessório no meio de tudo isto. o conhecimento, que tanto se fala como se a palavra em si fosse oca, representa uma construção ideal e idealizada da competitividade que o mercado procura e precisa. nesta dualidade de representações nasce uma constatação de facto. na escola e para a escola a cultura é um acessório. uma coisa para entreter. um momento ou um instante. e faz sentido que neste sistema seja assim. impõem-se a lógica do cumprir. e isso sim é simples. faz sentido. as coisas que não fazem sentido só encontram lógica nesta escola se forem pontuais. e não incomodarem. é importante que não incomodem. são autorizadas se forem naquela sala lá ao fundo do corredor ou no espaço para exposições mas não podem incomodar. não podem provocar alterações, soluções, comichão ao sistema. e é tudo tão simples, tão evidente, que seria tão fácil mudar.