09/01/2014

||| no meio da floresta existe uma árvore de costas...


||| ... de tempos a tempos vou navegar. navegar é preciso. dizia o poeta. e bem. vou procurar. gosto da palavra pesquisar que usamos com uma modernidade envelhecida. eu vou pesquisar. os meus alunos vão à net. como quem vai ali a um lugar. eu vou pesquisar. sou de outro tempo. do tempo das fichas em papel nas bibliotecas. ordenadas por nomes e alfabeticamente. por isso ainda penso que a informação estará assim. organizada. mas agora não é assim. é pelas minhas preferências, explica-me a política de utilização do google. eles sabem o que eu prefiro, dizem. o pior é que não sou uma pessoa coerente. nem consistente, diz o relatório de utilizador. não sei se é bom, se mau. eu não vou à net. vou pesquisar. e lá vou eu. primeiro em português. e surgem milhares de atalhos. não falo de ligações. falo de atalhos. caminhos curtos. coisas preparadas. como a comida pré-feita. mas aulas. recursos. coisas que fazem isto e aquilo. ou um ou outro "powerpoint" feito por um colega que partilhou num momento qualquer para o mundo. depois faço-o em inglês. e recursos há menos. mais artigos. mais reflexões. mais análises de resultados. guias de implementação passo a passo. é curioso. e faço uma última tentativa em francês. e lá vem uma ideia gira. um desafio feito. um projecto. é curioso. mesmo muito curioso. a língua determina a cultura de abordagem ao que se faz em sala de aula. partilhamos mais, sem dúvida. mas talvez partilhemos mais atalhos do que qualquer outra coisa. o nosso problema é de tempo. falta dele. procuramos coisas feitas. encontramos coisas feitas. noutras paragens encontramos caminhos. mas isso implica construir as estradas. e não temos tempo. foi-nos roubado esse tempo. daí os atalhos. mas o tempo que passo a ver atalhos, penso sempre, permite-me criar eu a solução. o recurso. a aula. deixo a pesquisa. não estou lá, como os meus alunos. vou lá. só. espreitar. pesquisar. obsoleto, eu, professor, pesquiso. e depois desligo. navegar é preciso. saio de casa. vou até ao pé do mar. ando um pouco. ali navega-se. ali, sim, os barcos navegam. e lá está, no horizonte a ideia para uma aula. aquela linha que vemos curva com o olhar. seria tão simples dizer que o mundo acabava ali. ainda é. e vamos de galileu até ao renascimento. e é tão simples. é só preciso navegar.