14/01/2014

||| o meu avô tem um carro enorme...


||| ... há este lugar da competição entre alunos enquanto ideia de que o mercado de trabalho será assim. a selva do "mundo lá fora". os melhores. os poucos que serão os melhores vão sobreviver [ou viver e os outros sobreviver] para além do correr dos dias. para isso é preciso trabalhar. muito. ser melhor do que o vizinho que nos olha por cima do ombro, sempre. e ainda, superar o que já temos. não é superar. é ultrapassar. para poder olhar de onde partiram para saberem onde chegar. ao lugar ideal que é ser o melhor. pelo número. aquele número na pauta. e disse a uma aluna minha que me arrependo de não lhe ter dado um vinte. sou sincero, nunca dei nenhum. não sei a razão. nunca pensei nisso. não tenho nenhum tabu quanto a isso, nem qualquer razão superior. simplesmente nunca dei nenhum vinte. a resposta da minha aula foi desconcertante para mim: é só um número professor e esse número não define nenhuma pessoa. gostei tanto da resposta que ainda mais me arrependi de não ter colocado aquele número na pauta. se pudesse, vinte e um. ou vinte e cinco. mas, de facto, cada vez mais o número faz menos sentido. ou fará mais para a "selva". o que me custa é que eu, que também habito essa "selva" para além da parede da escola, sei que cada vez mais o individual se dilui no trabalho de equipa. hoje as empresas trabalham com equipas. por equipas. por projecto. muitas. não todas, é certo. mas muitas. e isso não ensinamos. não trabalhamos. ou pouco. é muito mais fácil apostar nesse desafio de superação individual do que construir equipas de trabalho para o sucesso. e hoje, como sempre, os outros, trabalhar com os outros é o maior dos desafio de todos. aquele que não se ensina. treina-se. aquele que não se supera. é preciso conquistar. e isso começa em nós, professores. que não sabemos fazer isso e por isso não sabemos como o ensinar. talvez o futuro, o tempo [esse mestre superior que tudo permite desculpar] nos vá ensinar isso. precisamos disso. para ensinar que competir não é ganhar. é construir. falta isso. falta tanto disso para que os deuses de hoje se resumam a conquistas de futuro e não a vã glória do presente. assim seja...