||| ... de tempos a tempos sinto, como professor uma imensa necessidade de estudar. de aprender. e vou procurar formação. didacticamente pensada. estruturada. que me desafie. que tenha algum interesse válido cientifica e pedagogicamente. ultimamente, tirando as ofertas oficiais e de corrente do momento há algumas coisas curiosas. os gurus. chamo-lhes assim. profissionais que ensinam receitas em cinco passos para teremos melhores alunos. dez passos para combater a indisciplina. vinte passos para os alunos e professores do futuro. geralmente com um livro associado. e depois é só cumprir a receita. um bocadinho disto, mais aquilo, mais outra coisa. e a imagem de gurus da coisa surge sempre na minha mente. a absoluta certeza das receitas torna-se quase um culto da ideia em si. e sigo. a receita. leio-a. sou curioso e tento perceber a lógica. eu que sou professor e que às vezes dou formação de professores gosto de seguir esta lógica. porque eu quando vou para uma aula tenho mais dúvidas do que certezas. e ainda mais quando estou a trabalhar com colegas em orientação de formação. assusta-me esta visão das certezas absolutas em receitas criadas num tempo e num espaço que certamente não são o meu. e depois há outras coisas. outros cursos curiosos. onde quem orienta também tem dúvidas mas vai partilhar o que sabe. o que pensou. com as mesmas dúvidas de quem está do outro lado num momento qualquer que muda sempre. e lá vou eu. aprendo. comento e analiso. acho fundamental que um professor tire um pouco do seu tempo para esta coisa de se formar. e esse tempo é hoje muito mais importante se for um tempo de pensamento posto em comum. em conjunto. em debate e diálogo. porque isso nos é negado tantas vezes no correr dos dias que mais do que qualquer receita o que precisamos é mesmo desse tempo de diálogo para a construção de um novo pensamento do que qualquer outra coisa... penso eu...
