07/02/2014

||| é como entrar no túnel de lavagem automóvel...


||| ... sentei-me para pensar uma aula. desfiz tudo o que tenho feito no correr dos dias que são mais hábito do que qualquer outra coisa. peguei num livro. eco falava comigo de professor para professor. não era um eco. era umberto eco. disse-me: a imagem é ideia e o som é paixão. é por isso que a poesia e a música não são belas. são apaixonantes antes de serem beleza. ao contrário da imagem. nunca tinha pensado nisto. quer dizer, pensado já tinha pensado. nunca tinha era pensando nisto para uma aula. e recuperei um exercício antigo de preparar de raiz uma aula. ir buscar mais dois livros. pensar em tirar umas cópias de umas imagens. ir procurar origem das obras. biografias dos autores. ir perguntar coisas a mim mesmo que já nem recordava. apeteceu-me por instantes ter os meus apontamentos das aulas de teoria da história para recordar o que dizia o professor eduardo catroga sobre os pitagóricos. que tudo é proporção. lembrei-me o oráculo e da frase escrita na parede: evita o excesso. as regras da nobreza da vida segundo os gregos. lembrei-me da história ouvida em passeio por mérida de que no anfiteatro ao deixar cair uma moeda esse som era ouvido no palco [cena]. e tudo surgia na memória como um exercício muito belo. recordei o tempo e o gosto do que é preparar uma aula a sério. apeteceu-me encher o espaço onde estava de folhas e ideias. de referências. de linhas a lápis para juntar ideias. e ficou ali a certeza que somos melhores professores quando, neste exercício de preparar uma aula, aprendemos mais. roubaram-nos foi o tempo para isso. e por isso vamos reproduzindo o que temos feito. e quem perde são eles. os nossos alunos. sempre.