||| ... ontem fui a escola alheia conversar sobre literatura e revolução. acho que não falei nem de uma, nem de outra coisa. não me lembro. recordo apenas três trocas de ideias no final da conversa. uma professora. uma aluna. um pai. o pai, empresário em terras de gente empreendedora dizia que acolhia jovens para estágios que não sabiam escrever. a quem tinha que corrigir os erros. a quem faltava a preparação para além da componente técnica que era boa. a aluna ia-se sentindo operadora. pedia menos memorização. menos ser aluno para exame. menos exames. queria criar. queria que apostassem nela para além da reprodução a que era obrigada. a professora queria fazer mais. melhor. as condições de um programa e das obrigações para cumprir não lhe permitem fazer o que é preciso. quer. não consegue. e aquela escola, espaço, projecto até me pareceu daqueles que aposta para além do que lhe é obrigatório cumprir. eram vinte e três horas e no dia seguinte as aulas começavam às oito e meia. mas estavam ali. na conversa. e isso importa para a maria e a débora que perante o desafio de (re)arranjarem músicas de tempos da revolução de abril cantaram nesta noite para explicar que a escola pode ir além do que é. e saí com a sensação que me acompanha como professor, nestes tempos de agora, que nenhum de nós tem a escola que quer. que deseja. que gosta. nenhum de nós se revê nesta coisa de tudo ser examinado. tudo se feito para ser estanque, igual, reproduzido. e como disse por lá, naquele momento, não está nas mãos de mais ninguém mudar o que temos sem ser nas nossas. só nos podem causar danos de espera, ouvi cantar. e pensei que esses são os danos que estamos a fazer à escola neste tempo presente que tem que cessar. porque ninguém gosta disto. ninguém se identifica com isto. e tem que nascer outra escola porque esta, como está, não serve ninguém.
