||| ... ó professor, o professor faz-me sorrir. não consigo falar consigo a sério. está sempre na brincadeira. mas ó rita acabámos de ter uma conversa muito séria. pois foi. mas não parecia. se há coisa que gosto é de conversar com os meus alunos. muitas vezes nos intervalos. no tempo inútil da escola. falam-me das músicas que ouvem, das séries que vão vendo, dos lugares por onde passam. é estranho pensar nisso. que às vezes me falam de coisas que não conheço já. oiça professor. e lá vem um auricular parar ao meu ouvido. gostou? umas sim, outras não. e lá falo de outras músicas e de outros cantores. e esse tempo, este tempo é algo de precioso. o que me assusta é que é cada vez menos. porque tudo hoje é um lugar de passagem. de cá para lá. numa pressa que retira esse tempo para eu me sentar num degrau de uma escada e simplesmente conversar. ser humano. ser pessoa para além de ser professor. e com isto eles, os meus alunos, perdem mais uma referência. e transportam esse lugar que nós tivemos de figuras de referência para os ídolos que são cada vez mais produtos de um marketing cada vez mais agressivo. e sentado num lugar qualquer, nestes cinco minutos de tempo, penso nisso. e o quanto é importante ser pessoa antes ou ao mesmo tempo de que sou professor...