||| ... tenho assistido a um fenómeno que me preocupa enquanto professor mas ainda mais enquanto ser humano e cidadão. falo do radicalismo de grupos em contexto de escola. se a afirmação da diferença parece uma conquista a tolerância de uns para com outros não o é. é ainda, cada vez mais assustadora e marcada a "circularização" dos comportamentos que muitas vezes roçam a falta de tolerância [para não dizer racismo ou xeno e homofobia, se é que nestes conceitos estão todos os outros que neles não cabem]. é que o outro é o outro. isto está presente nos comentários em surdina ou nos comportamentos visíveis no "agrupamento". diria que há quase uma lógica de clã. e o outro é o outro e não um eu. o que quero dizer com isto é que passados tantos anos e tantos projectos de trabalho em torno da questão do racismo e/ou tolerância o que vejo agora é um crescendo de comportamentos de segregação das diferenças. uma reclusão em grupos diferentes. quase como se a igualdade fosse natural entre os comuns e os outros não fossem seres iguais mas outros. algo externo e a criticar ou ostracizar [não no sentido literal mas no sentido do não conhecer]. e como professor tenho que saber como combater isto. as palavras multiculturalidade ainda estão longe de serem uma realidade conseguida enquanto comunidade escolar em interacção. e penso que cada vez mais é preciso voltar a repensar as estratégias, formulas e formas de trabalhar com os nossos alunos esta questão sob o risco de começar a ser uma realidade cada vez maior a ideia de uma comunidade escolar fragmentada.
