18/02/2014

||| vamos esconder o futuro...


aviso: este texto é politicamente incorrecto.

||| ... sou um defensor da escola pública. não do modelo que agora temos. mas da escola enquanto bem público. enquanto conquista social. atravesso muitas vezes o país de norte para sul e reparo que há sempre uma placa a indicar: escolas. e isso é uma conquista universal. o direito a aprender. e da escola privada também. porque é escola. e só isso é, em si mesmo uma conquista. novamente. uma conquista. não gosto do modelo social em que vivemos. não sou liberal nem aceito o capitalismo. isto para que fique tudo claro antes do que vou dizer. sou um evolucionista. acredito que a ciências nasceu com darwin [e já começo a provocar]. sou um atento observador da sociedade. gosto da sociologia como modelo explicativo do que hoje somos enquanto todo e da antropologia enquanto análise das partes [e volto a provocar]. e com isto digo que vejo o todo e as partes. e tenho, nos últimos tempos enquanto professor estado em contacto com ambas as realidades. o todo e a parte. e dentro da parte a margem social mais desfavorecida e mais favorecida. sim, porque na sociedade actual existem ambas. por muito que sejamos defensores da igualdade e da universalidade da educação há estas duas realidades dentro do sistema educativo. e tal como na sociedade alastram as desigualdades. não é uma análise é uma visão sobre a realidade. e o que me aterroriza é ver que futuro estamos a roubar a ambos. e hoje apetece-me falar desses favorecidos que oferecem à educação dos seus educandos um universo paralelo e fechado dentro de si mesmo para a construção e manutenção da elite. eu avisei que ia ser incorrecto. e o que vejo dentro dessas paredes fechadas é o resultado do que hoje fora das portas da escola acontece. importa o ranking [e falarei disso noutro texto já a seguir] e o resultado. ainda ontem uma colega me dizia que as artes iam receber um corte de quinze minutos no tempo de uma hora por semana que lhes era dedicado em detrimento de um aumento de horas para português e matemática. isto em crianças de quatro e cinco anos. e o que me aterroriza é que ninguém veja para além do agora. que este modelo está moribundo. que mais tarde ou mais cedo alguém terá a coragem de mudar este sistema. ou não. e ambos os cenários são assustadores. se não mudar estes miúdos serão adultos sem a visão global da construção humana. da ciência à arte, do saber ao sentir. e se mudar tudo, estarão perante o futuro sem ferramentas para o pensarem ou construírem para além do que as regras conseguem edificar [as que lhes foram ensinadas em português e matemática]. e penso nisto com a visão mais politicamente correcta que existe. que um dia estes miúdos serão aqueles que dizem que os números são mais importantes do que as pessoas e nisso tudo está explicado. não pode ser justificado. mas explicações vão conseguir arranjar. e quando olho para tudo isto só espero que eu tenha a força, como professor, para marcar a diferença. para lutar contra tudo isto. mas isso sou eu. hoje, feito professor incorrecto mais do que imperfeito. porque é preciso ver. olhar e ver no que estamos a transformar cada uma das escolas. é mesmo preciso parar e ver.