13/03/2014

||| das coisas breves em que tudo importa...

 
||| ... ao passar os portões da escola observo o que se passa à minha volta. gente a mais. tempo a menos. o tempo dos deuses terminou. o tempo dos justos, também. santo agostinho iria ter dificuldade em compreender isto. kant, também. ou talvez mesmo eu tenha agora dificuldade em perceber que aquilo que aparece em frente aos meus olhos ainda tem o nome de escola. não tem. já nem isso tem. agrupamento. sede de agrupamento. e eu que sou muito dado à importância das palavras reparo nisso. ainda há na boca dos professores " a minha escola". fui à minha escola levar isto ou aquilo. no entanto esse nome, essa coisa simples de chamar as coisas pelos nomes, muda a forma como comunicamos. a reunião é na sede do agrupamento. agrupamento. lembra aqueles batalhões preparados em acampamento antes de uma batalha na idade média. um agrupamento de gente não é uma escola. é mesmo só um agrupamento. gente junta. coisas juntas. escolas juntas numa coisa que nem nome tem. é só um grupo. um agrupar. e tudo na palavra importa. até ao ponto de se ver claramente a falta de estratégia ou visão. agrupar é juntar sem ordem. estar contido é diferente. ser similar. a escola é palavra em desuso. de cima para baixo. é. guardemos nós, guardiões dos deuses, as palavras como tesouros. como resistência e luta. vou-me embora. vou para a escola...