||| ... da visão das coisas. não gosto de usar este espaço para falar de política [ou ausência dela] no que diz respeito à escola e ao sistema público de ensino. não gosto porque não me interessa como professor mais de metade das coisas que se vão esgrimindo entre leis, decretos e regulamentos. interessa-me sempre a luta pelos direitos sociais e profissionais porque são, tão meus, como de todos. mas hoje parei para ver o todo. aquele todo em forma de modelo que desejam para a escola. dos concursos às autonomias. das palavras aos pedaços. e o que surge aos meus olhos, enquanto elemento desse gigante sistema que a todos absorve é mesmo que estão a despedaçar a escola. ao mesmo tempo que atiram para dentro da comunidade escolar tudo o que outros deviam conseguir resolver, estão também a despedaçar a escola. explico. como se cada coisa fosse uma peça isolada. a direcção é uma peça [manobrável e dominante], os professores [são peças movíveis], os alunos [são milhares de peças separadas umas das outras e vistas como um todo uniforme e disforme] e tudo o resto é cenário. peças. não pessoas. peças. peças que podem ser vendidas. trocadas. cujas regras de encaixe podem ser transformadas de um dia para o outro sem apropriação por todos dos novos caminhos. lembra-me aquelas empresas vendidas aos pedaços como se fossem coisas que ninguém sabe muito bem o que são. e por isso a escola é hoje isso mesmo. um lugar onde pedaços do que um dia foi uma comunidade co-habitam. muitas vezes já sem os restos de qualquer tido de identidade ou forma. como se fossem uma caixa esquecida de peças por arrumar. e se a política é a gestão do [im]possível urge chamar alguém que retome o que é importante. dar significado. dar uma política de razão. dar uma forma ao que hoje está despedaçado. ou corremos o risco da escola nunca mais ganhar, novamente, a forma que precisa para enfrentar os desafios para o qual foi criada...
