||| ... fiquei a pensar nisso. depois de um fim-de-semana em conversas com colegas de várias partes do país fique com aquela questão no pensamento: se nós temos hoje menos atenção, se nós também "desligamos" por vários momentos numa troca de ideias com que fundamento reclamamos o mesmo dos nossos alunos falando tantas vezes em défice de atenção? devia ser algo em que pensar. e é verdade. devia. deve. a linha que nos separa tende sempre a ser ténue. sei que alguns apostam na "teoria da conspiração" do "multitasking". outros, no conectivismo. outros apontam para a falta de educação. outros para a concentração. outro para a meditação. eu não vou por ai. vou pela curiosidade. tenho dito isto vezes sem conta. deve ser por estar errado. deve ser por isso que o que digo não faz sentido. a curiosidade foi abandonada como estratégia pedagógica. como instrumento para o conhecimento, observação, atenção. despertar a curiosidade. trabalhar a curiosidade. trabalhar o espanto. construir processos de atenção para ser curioso. estar curioso. e com isto, atento. eu sei. é preciso ser corredor de fundo num tempo do imediato. das soluções imediatas. porque como todos nós, professores, sabemos a estratégia da curiosidade exige pelo menos um ano lectivo para conseguir ser consistentemente conseguida junto dos nossos alunos. e ninguém está para soluções que levam um ano lectivo a serem implementadas para, provavelmente, nem beneficiarmos delas por aqueles alunos passarem a ser de outro professor qualquer no ano seguinte. eu sempre trabalhei assim. talvez por ser um maratonista nesta coisa de procurar mudar o mundo uma pessoa de cada vez. nem que nunca tenha conseguido mudar nada a não ser a mim mesmo. mas custa-me ver que na casa onde devia habitar a curiosidade como estratégia para a atenção habita tudo menos isso. e até tem uma receita. aquela coisa que muitos desejam e procuram. o pior é o tempo. o tempo que demora. as conquistas que são precisas fazer. e aquelas que não se conseguem de imediato. e quem perde, somos nós. todos. perdemos a vontade de estar atentos e ver o que nos rodeia, realmente...
