14/03/2014

||| não há corpo que aguente...

 
||| ... alunos desmotivados. professores desmotivados. motivação. sinceramente tudo isto um absurdo. nunca como neste momento, neste espaço de tempo que antecede o fim de mais um período escolar tanto cansaço foi representativo do estado geral da escola. é o cansaço. a sobrecarga. a dimensão imensa do constante. ontem ouvi uma frase que me ficou na cabeça. a globalização da indiferença levou-nos a já nem saber chorar. fixei a primeira parte. globalização da indiferença. acho que é mesmo isto. já nem é desmotivação. é mesmo o grau extremo da indiferença que começa a alastrar na escola. e o desgaste do trabalho errado da concentração para a motivação. os professores fazem tudo para criar motivação nos alunos que estão indiferentes, muitos deles, muitas vezes, a esse esforço. esse esforço sai do corpo já cansado das lutas dentro e fora da escola daqueles que são mais do que professores. são pessoas, pais, responsáveis. alastra como um nevoeiro silencioso e transforma-se num cansaço constante. estrutural como agora dizem. e esse cansaço, a certa altura, em certa medida, nesta medida, gera indiferença. e o pior que pode haver na escola é este sentimento de indiferença. esta globalização do deixar andar. cumprir por cumprir. fazer por fazer. sobreviver a mais uma semana. mais um dia. mais uma aula. é um perigoso elemento de contágio este. que se transporta pelo ar e pelas atitudes. contagioso. é certo que muitos lutam afincadamente contra este estado das coisas da escola. mas também a esses o cansaço pesa. perdem forças. e hoje este lastro imenso de indiferença torna a escola num lugar desabitado. de passagem. onde o que se espera é o fim. o fim de mais um dia. o fim de mais uma semana. o fim de mais um período. só para descansar um pouco e saber que mais um mês, dois, três nos esperam no último e derradeiro período escolar. mas que escola é esta? não é uma escola. não é nada. é a indiferença em forma de organização. resta só aquela esperança que o sistema rebente e com ele aqueles que nos colocaram aqui. e que venha, depois disso, aquilo que todos desejamos em segredo no fim do dia. uma nova escola onde possamos construir novos dias. claros, limpos e diferentes.