24/03/2014

||| no meio de tanto barulho, um som...

 
||| ... sou defensor que a experiência de aprender deve ser tão rica e interessante como o conhecimento adquirido o é, por inerência. isto é, numa balança, a forma como ensino tem que ser tão relevante e determinante como o conhecimento em si. é um equilíbrio difícil de conseguir. tendemos a cair num ou no outro lado "da barricada".  ou a ignorar o processo em si. isto tudo porque dei por mim a ler sobre teorias de aprendizagem. a certa altura tendemos a procurar formas pensadas de organizar o pensamento para que o nosso faça, nesse sentido, algum sentido. fiquei pior. ainda parei num texto sobre o eduquês. e num outro, sobre o seu oposto. dei por mim a pensar se alguma vez algum daqueles teóricos terá tido alunos como os meus, hoje. e lembrei-me do professor antónio nóvoa que conta sempre uma história. que um dia alguém disse a outro alguém que discursava sobre educação que tinha vinte anos de serviço e que saiba muito mais sobre educação do que quem estava a discursar. e quem ditava as suas sábias palavras perguntou: tem vinte anos de experiência ou tem um ano de experiência que repetiu vinte vezes? e vejo com atenção que o que digo não faz muito sentido no contexto de um processo de investigação. não sou por um ou pelos outros. não tenho e acho que nunca terei uma teoria de eleição. nem acho que nenhuma delas é completa. acho que a soma de todas faz algum sentido. não todo. porque da teoria à prática vai sempre uma imensidão de coisas que tudo alteram. vou, como muitos fazemos, jogando com o que faz mais sentido. o que, em oportunidade, coerência e adequação se revela mais importante e funcional. a verdade é que acho que falta, a muitos professores, fazerem esse exercício. eu digo muitas vezes na brincadeira [e falando muito a sério] que é preciso que cada professor faça a sua sopa juliana de teorias. que as conheça. que as pense e repense. que as deguste. que depois recrie. mas para ensinar é preciso não tomar partido. ou seremos sempre só metade, um terço ou um pedaço do que podemos ser. o caminho único é uma coisa do passado. assim como o lado de uma barricada. num mundo e numa sala de aula cada vez mais imensa na sua dimensão e integração os pensamentos únicos são meio caminho andado para a perdição. talvez um dia tomaremos consciência disto. e todos aqueles que agora são seres cheios das certezas que a teoria lhes dá poderão ver o admirável mundo novo que é a visão daqueles que procuram uma multiplicidade de linhas e perspectivas para a uma realidade que só se pode assemelhar a um caleidoscópio.