10/04/2014

||| se isto não vos parece muito...

 
||| ... o pensamento rematou-se assim: se os professores ainda não perceberam que estão a ser cilindrados não sei o que será preciso mais. foi daquelas conversas de fim de dia depois das portas fechadas. levei aquela frase no bolso. e depois aqueles argumentos de classe. que não há uma classe docente. é um fado. como se fosse destino marcado na palma da mão. como se todos fossemos de ferro. como se fosse sempre possível aguentar mais. mas não é. e ninguém diz basta. vai-se cumprindo. e basta olhar para os rostos de todos e ver o que isso faz a cada um. pessoas. sim, os professores são pessoas. muitos com filhos pequenos. com vidas grandes. cheias de coisas que ficam por fazer. roubar um pouco mais de tempo a nós, pessoas e aos que nos estão perto. dizemos que tem que ser. por medo. medo da inspecção. de perder o emprego. de ser olhado pelo outro como imprudente ou insano. e em surdina dizer que já não se pode mais. precisar de ajuda e não a pedir. é o pior que pode acontecer a alguém. ficar feliz pelas coisas pequenas. aquele miúdo que no final de uma aula até respondeu a tudo e nos surpreende. mas essas coisas estão a perder a força de outros tempos. porque o que nos está a faltar é tempo para viver. porque contados os dias estamos a ser cilindrados. mesmo. e se não basta ver e sentir tudo isto o que será preciso para dizer basta?