22/05/2014

||| desta coisa da disciplina...


||| … dei por mim a ir ler umas coisas. sobre discplina. a visão dos outros. e reparei em duas coisas concretas. que tudo se passa na sala de aula. que todo o “trabalho” de regulação e normalização está colocado no que se espera que o professor faça para “mudar” as coisas. principalmente, as “atitudes”. há, depois, as correntes. os “afectistas” [como lhes chamo], que colocam o afecto e a relação empática como centro do processo de resolução dos problemas. e os “regulistas” [como lhes chamo, também] que colocam o foco na autoridade e força do professor. mais até do que nas regras [ou tanto como]. é que esta coisa da disciplina desperta sempre esta outra coisa que é o lado da trincheira em que cada um se encontra. ou não. para mim que nem um nem outro fazem pleno sentido, que as teorias são boas para os teóricos, acho que o ponto ou ângulo de visão é que está a precisar de ser mudado. a escola recebe hoje miúdos cuja “educação” e o modelo de referência que lhes foi facultado se distorce na lógico do respeito claro pelas regras comuns. rapidamente oiço logo alguém dizer: a escola não educa! ensina! e pronto. lá vem mais uma lógica teórica assente no modelo social de uma burguesia que já não existe de per si. para mim a escola é para todos. o que me custa é ouvir cada vez mais nas sala de professores ou nos corredores: estes miúdos não deviam estar na escola. isto não é para eles. isto, que é a escola, foi feita e conquistada na liberdade de ser exactamente para eles. mas para todos. também. e a cerca que veda a escola do mundo deixou de permitir que se veja, muitas vezes, o óbvio. tudo mudou. de fora para dentro da escola. e não existem ilhas no universo humano. por isso, depois de ler mais um texto penso que há dois factores importantes a reclamar neste desafio da “disciplina”. o primeiro é que se nos centramos no “dentro da sala de aula” estamos a cometer o mesmo erro do que é transformar tudo em ilhas. é que muitas vezes o regular ou criar normas de convivência em sala de aula é determinado pelo que se passa fora daquelas quatro paredes. influi. determina. e é preciso pensar nisso antes de pensar em tudo o resto. e depois, no que é uma lógica integrada e transversal. não é “obrigar” a que os professores todos de um determinado aluno ajam da mesma forma. ou proibir tudo e mais alguma coisa por via de um regulamento ou coisa parecida. é envolver e criar uma lógica de actuação harmonizada. um dos mais importantes sentidos que os alunos procuram é a coerência. o outro: o significado. a razão. a lógica. combinados os dois, coerência e significado ganham os professores todos enquanto equipa uma força maior para criar novas formas de convivência. não se trata de igualar formas de ensinar ou personalidades entre professores. trata-se de tornar claro e preciso o modo de relação humana entre quem procura a disciplina para o bem comum e quem precisa de encontrar significado para o comportamento adequado para cada momento. hoje apeteceu-me pensar nisto. mesmo que, imensamente, utópico...