05/05/2014

||| do silêncio brilhante se vão fazendo os dias...

 
||| ... esta história é curta. espero que conheça as personagens. a cristina e a mafalda. uma professora. a outra, aluna. não conhece a cristina, nem a mafalda? faz mal. uma é uma professora extraordinária. a outra, uma miúda fantástica. e que importa isso? então eu conto a história. a cristina enviou-me uma mensagem por via de uma rede social dizendo: podemos usar uns textos que tem pelo blog para uma peça de teatro? como eu acho que o que escrevo aqui são mesmo um conjunto absurdo de disparates disse que sim com o aviso que podiam fazer mal à saúde mental pública. mas, depois de uns sorrisos e troca de ideias fiquei sem saber mais nada. um tempo antes tinha recebido da mafalda, que tinha sido minha aluna [e já agora... tenho pena dos professores que dizem "minha ex ou minha antiga aluna". para ela eu serei sempre o seu professor e para mim ela será sempre a minha aluna, para além de uma miúda fantástica. esta coisa dos ex é coisa de crescidos para coisas estúpidas] uma mensagem, também via rede social a perguntar se ia ao festival de teatro. respondi que faria tudo para ir mas não tinha a certeza. ora... passados uns tempos recebo a mensagem da cristina. usámos uns textinhos. a peça estreia dia dois de maio. eu raramente faço isto. acho que foi mesmo daquelas aprendizagens que nunca vou esquecer. respondi. ó cristina, posso ir. guarda-me por lá dois lugares? a resposta foi pronta e imensa. claro que sim. e no passado dia dois, lá fui. o que encontrei não tem palavras. mesmo. até pelo que explicarei no texto que vou escrever a seguir em contraponto com este. uma sala com mais de quatrocentos lugares, cheia. de pais, de elementos da comunidade, de professores, de gente. para ver teatro. para ver os miúdos a representar. e não era uma daquelas construções simples. a cristina deu uma dimensão moral e única, ao estilo clássico, do que pode ser uma mensagem, uma lição, de filhos para pais, de alunos para professores, entre pessoas. a mafalda representou e eu nunca a tinha visto naquele papel. gostei do abraço no final. espero que o futuro lhe pertença. tem tudo para o conquistar. o texto, recriado do que aqui escrevo, teve o milagre de fazer sentido. o que já é imenso. mas vi muito mais do que isso. vi uma comunidade unida em função do trabalho de uma pessoa dedicada. de uma pessoa acarinhada. respeitada. de uma pessoa que optou por não ir pelo caminho fácil. de ensinar, moralizar, construir, edificar um trabalho para além do óbvio. e saí daquela noite de uma hora e pouco de alma cheia. por saber que há professores assim. e miúdos assim. que ainda fazem da escola uma escola. que ainda conseguem, no silêncio imenso do seu trabalho, mudar as coisas. uma pessoa de cada vez. um sonho em cada passo. e fiquei descansado. feliz. e muito mais rico como pessoa e como professor. obrigado pela noite que me deram que não esquecerei nunca. e o obrigado por ainda criarem e fazerem a escola que tanto precisamos nos dias que correm. obrigado e parabéns. e para quem não conhece a cristina e a mafalda façam o favor de as descobrir. uma é uma professora extraordinária  e a outra uma miúda fantástica...