27/05/2014

||| eles...

 
||| ... não sei a razão. habita estes dias uma espécie de nostalgia. e uma reflexão. os cheiros e sons da escola mudam. para mim, mudam sempre nesta altura. neste fecho. chegam as perguntas do costume: ó professor, vai ser nosso professor para o próximo ano não vai? não, infelizmente não vou. ó professor, fogo. vá lá. não sou eu que decido, é o sistema. vamos ter saudades suas. e depois a corrida. a corrida aos últimos conceitos, coisas para ensinar. coisas que ficaram por dizer. o exame que se aproxima e determina o futuro. as escolhas. vou para isto ou para aquilo. que me diz, professor? vai para o que gostares mais. o futuro não está escrito. e o café no bar sabe diferente. e entra pela sala uma luz mais clara. o fim do dia é mais lento. não sei a razão. mas é sempre assim. o ruído dos corredores soa de forma diferente. no natal é tudo mais cinzento. chove mais dentro e fora da escola. agora há um correr, os dias maiores. a pressa para pensar no que ficou por dizer ou fazer. as notas para "dar". os trabalhos para "ver". o miúdo que vem pedir para fazer mais uma coisinha para mudar a nota. aquele a quem fomos dizendo "eu bem te avisei que assim não ias lá". devias ter estudado mais. aquele que nos arreliou o ano todo mas que no final até vem dizer que foi bom. que nos quer para o ano lá. aquele. aquele que nos deu "água pelas barbas". e o outro, o do canto, que nunca dizia nada. e a miúda da primeira fila que tirava apontamentos coloridos com corações nos i. e quando se fecha a porta da última aula do dia, mesmo ainda faltando tanto para o fecho deste ano lectivo, tudo cheira, soa e parece diferente. estes dias já. e não sei a razão. mas é assim. é sempre assim. porque não somos só razão. somos aquilo que vamos sentido, na escola que é um lugar habitado. vai mais um café. este fumega. e até o "até amanhã, colega" tem outro som. curioso. mas é assim. sempre. e ainda bem...