||| ... no final de um ano lectivo devo ter visto quase [ou mais] de dois mil testes. sim. e o que ganhei eu ao "ver" dois mil testes. nada. trezentos e tal alunos sem eu poder dizer, de quase nenhum, que lhe fiz algum bem ao ver os seus testes. anotações, correcções, nota. e depois os exames no final que se aproximam. nunca fui contra exames. sou-o contra este modelo e esta avalanche que transformou a escola numa fábrica e os estudantes em operários. um teste tem que ser um instrumento pedagógico em si mesmo. mas não há tempo para isso. há tempo para testes de correcção simples. são dois mil num ano. é tempo que não é dado. é roubado. aos outros. ao meu próprio tempo para aprender. ao meu próprio tempo para pensar e preparar o que ensinar. um teste devia ser isso mesmo. teste. vamos ver. vamos desafiar. vamos aprimorar o conhecimento. não é. é um momento de repetição. ver se são capazes de repetir o que vem num livro, o que eu disse numa aula, uma definição que debitei quando queria ter ensinado. e são quase dez mil folhas de papel. num ano. só um professor. dez mil folhas de papel. uma por aluno. e tempo, nem consigo contar as horas com os olhos em escalas, cotações e coisas que tais. avaliamos o que queremos que eles tenham aprendido. e serve tudo uma lógica pérfida de inutilidade. porque os testes não servem para nada se forem feitos assim. se fossem, testes, desafios, isso sim. mas não há tempo. há tempo para a inutilidade de apurar resultados para colocar numa folhinha e enviar pela estúpida cadeia de "comando" para ficar lá, pendurada e misturada, numa estatística final qualquer que alguém um dia irá dizer na televisão: estão a ver, subiu. e com isto perco eu o meu tempo. pior, perco o tempo para os meus estudantes transformados em copistas. e era tão simples que tudo não fosse assim. mas infelizmente não temos tempo para pensar nisso. há testes para corrigir...
