30/07/2014

||| a pausa...


||| ... o professor [im]perfeito regressa dia um de setembro, talvez...

||| palavras [im]perfeitas...

mia couto

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| os dias [des]iguais...


||| ... foi uma ano difícil. feito de muitos dias. mais do que isso. de muitas coisas. para o mais [im]perfeito dos professores fica por aqui. é tempo de pausa. não de férias. não as há. é tempo de pausa nas palavras, somente. e antes de ir pensar novas palavras, novas ideias, o que dizer e como o dizer, fica o obrigado. a quem leu. a quem lê. a quem visita ou habita este espaço. só um imenso e profundo obrigado. continuamos em breve. enquanto houver estrada para andar...

29/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

pedro tamen

||| repito tantas vezes que já me esqueci...


||| ... é preciso pensar. é simples. basta ir espreitar as listas de escolas a concurso para as "necessidades residuais" do sistema e ver. em frente ao nome: com contrato de autonomia. ou: teip. cada vez mais. dizem que era para "fugir" aos mega-agrupamentos. dizem. sei que tenho dito várias vezes em vários contextos que este é o tempo de se pensar em tudo. em tudo isto. não no agora. agora é para analisar. aceitar ou refutar. para o futuro. porque ninguém é eterno e os lugares são mutantes na forma e no conteúdo. e que escola queremos depois desta? depois deste tempo. desta lógica. desta coisa. e chega o tempo do não pensar. vamos parar um pouco. um pouco tão preciso. mas não será assim para todos. nem para alguns. é preciso criar uma ideia do que queremos. lutar por isso. dizer que é isso. como é, como se faz. porque foi por não se saber o que se queria que fomos atirados para isto. em parte o mando vem daí. ser mandado. porque não há outra ideia mais forte que diga bem alto não é por aí mas é por aqui. assim. feito assim. de a para b. de b para c. e mesmo em tempo de paragem, o pensamento é necessário. tanto como a luta. urgente. urgente saber que escola queremos depois desta. urgente.

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| não são só uns. são todos...


||| ... agora há menos coisas. há um fecho. a escola está mais cheia de luz. mas com menos coisas. o tempo é outro. mudou. mas fica uma sensação presente. está tudo mais pesado. mais denso. a escola perdeu o seu lugar de claridade. eles, os miúdos. são atirados cedo demais para as obrigações. e um período inteiro perdido para um batalhão de exames é o culminar disso. por muitas coisas que se colem para tentar manter a lógica da escola como espaço de acolhimento, nos corredores, nas salas, entre momentos, só se falou disso. e por isso o "desligar" de tudo isso é cada vez mais urgente. mais necessário. é por isso que há uma leveza nos dias que não se repetem. é como se o verão, mesmo não chegando, é esse espaço de tempo cada vez mais diferente. não é que isso seja mau. é só o peso que fica da escola. o não ser mais o espaço de encontro. ser só o tempo das coisas para fazer. e isso é o mais perigoso nisto tudo. e não é só para os professores. é para todos. porque os miúdos vivem a escola e na escola também. e sobre eles cai este sistema das coisas para fazer. cada vez mais. como a todos nós. venham as férias. venha o verão. libertem-se os pesos dos dias feitos e venham os dias por fazer.

28/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

matilde rosa araújo

||| clique... e números...


||| ... [aqui]. há professores e professores. e há os cliques. há anos que é assim. eu sou do tempo de fazer viagens por portugal para ir aos mini-concursos. muitas vezes de mochila. outras de lancheira. uma sandes e lá se ia da covilhã a portalegre. de évora a coimbra. concorrer. desistir, diziam com ar sábio, podia ser por carta. ao menos isso. agora são os cliques. e os códigos das escolas. e começa hoje essa tarefa para milhares de professores. ir ao "sistema" colocar "preferências". chama-se "manifestação de preferências". tudo isto tem um nome fantástico. as palavras são coisas fantásticas. o que qualquer professor contratado que está por lá a preencher aquilo com códigos de dois, três e mais dígitos, em primeira, segunda ou terceira prioridade, quer é mesmo ficar numa qualquer. e faz cálculos. olha para o mapa vezes sem conta. estreita o google maps vezes sem conta. faz contas. são x quilómetros para cá e x quilómetros para lá. vai metade do ordenado só para viagens e combustível. e isto se for possível fugir às portagens que agora estão por todo o lado. e faz isto dezenas de vezes. e liga ao colega e pergunta como é o caminho. e volta a olhar para o mapa e para as pessoas que estão ao seu lado. e abana a cabeça. vão doendo os olhos. petisca umas amêndoas ou uns biscoitos quaisquer. faz uma pausa. cansa. desgasta mesmo. finalmente, depois de centenas de códigos "carregados" há um botão que diz: submeter. e pergunta mais uma vez a si mesmo e a quem tem por perto: achas que faço bem em concorrer para ali? são cento e tal quilómetros de casa. a resposta é a mesma há uma dezena de anos. sim. tens que tentar tudo como isto está. e lá se clica. secretamente espera-se por uns instantes que por um milagre qualquer apareça um janelinha a piscar e a dizer: ficou, perto. onde queria. mas não. sai um "recibo". e a espera. por mais um mês. para ver se as preferências ficaram por cumprir. ou foram cumpridas. e desejar que só desta vez se fique melhor do que no ano anterior ou no ano antes desse ou nos dez anos antes desses. tudo com fundo verde. ironicamente para brincarem com a esperança. e isto ninguém sabe. e isto ninguém vê. mas isto é também o que é hoje, em portugal, querer ainda ser professor. só mais um ano. por mais um ano. ter emprego. ser professor.

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| não é mais nada que um bonito ramalhete...


||| ... isto foi notícia [aqui]. passaram três dias. é simples. cinco por cento dos alunos recuperaram a matemática no sexto ano para um último exame. e trinta e tal por cento a português. com um modelo tipo americano de "aulas" suplementares e mais umas misturas de "estratégias" e coisas que tais. ainda recentemente li uma pequeno desabafo a chamar a isto de "embuste". não gosto da palavra e menos da lógica inerente. acho só que é uma ilusão desnecessária. porque é uma lógica compensatória. vou explicar. se com turmas com mais miúdos. sem menos possibilidade de apoios. sem capacidade de concentração de alunos e professores a viverem num estado de constante "fazer" e pouco de "pensar. com exames como "objectivo" e com uma escola a funcionar como uma fábrica é normal que os miúdos com mais dificuldades fiquem perdidos no "sistema". perdidos no sentido de não terem uma linha de rumo clara e definida que os apoie verdadeiramente. e depois "inventam-se" umas semanas para "recuperar" tudo o que devia ter sido feito ao longo do ano. nos estados unidos da américa havia as "summer classes". era o castigo de roubar o verão para aprender mais. para "recuperar". só com testes, sem exames no fim, mas a lógica era a mesma. nos anos oitenta. deve ter sido essa a inspiração para em dois mil e treze a coisa ter nascido cá. é do fuso horário. ou do absurdo de quem coloca tudo nesta lógica que que tudo são peças numa estatística e se esquece que o ensino e a educação são percursos. longos. demorados. e que precisam de mais do que umas "semana" para "recuperação". devo ser eu que estou errado. afinal os números só provam isso. que a recuperação foi possível. o pior é a balança. que pesa os que ficam fora do sistema ou perdidos neste [sendo uma maioria avassaladora] só porque, ao longo do ano, era impossível fazer mais... 

25/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

fernando pessoa

||| um dia falaram de [r]evolução...


||| ... ainda me lembro da polémica que foi quando, numa celebração do vinte e cinco de abril, alguém se lembrou de tirar o r a revolução num jogo de palavras entre evolução e revolução. era qualquer coisa como isto: [r]evolução. e lá foram uns colocar um r a vermelho nos cartazes. e outros dizer que estava bem pensado. que abril era evolução. e pronto. passou. mas esta dicotomia é interessante. mesmo muito. é o mesmo que se passa hoje na escola. por muito que todos, de uma forma ou de outra, vamos colocando a cabeça na areia discutindo as árvores em vez da floresta ou o madeireiro em vez do plantador. e ontem fiquei a pensar numa coisa que ouvi. há na inovação dois caminhos óbvios. um de integração e evolução natural de um sistema criado. outro, de disrupção. a inovação tem destas coisas. é uma medeia [a mitologia, aqui] na forma e na lógica. fascinante por si mesma. mas desafiante. e perigosa. porque não se sabe o que se vai conseguir ao mudar. ao transformar. é sempre mais segura a lógica da evolução sobre um sistema criado. e isso é o que tem sido feito nas últimas décadas. remendos. melhorias. ou desvalorizações, eliminações e coisas que tais. sempre sobre uma base existente. e depois vão-se sustentando as melhorias ou remendos em teorias. para uns a inspiração. para outros o norte. para outro o rumo. e lá vem o paulo freire. e/ou outros opostos. e lá vem a lógica da exigência vs permissividade. e lá vem a escola inclusiva vs profisionalização ou disparates que tais. a esta evolução na escola falta o r. sinceramente é o que penso. sobre um sistema obsoleto que já não dá resposta a nada nem a ninguém, que ainda por cima serve para ultrajar aqueles que nele estão integrados, não há evolução possível. porque o futuro não precisa de uma escola como hoje tem. precisa de uma escola que seja mais, melhor e maior [não em dimensão mas em objectivos]. e se é fácil proclamar a implosão de uma coisa qualquer sem o fazer o difícil é conseguir fazer, de facto, essa revolução que a escola precisa. de chamar, quase em modo de concílio, todos os envolvidos. redesenhar e refazer o que se deseja que seja a escola amanhã. para os próximos cinquenta anos [numa visão utópica] e fazer nascer isso num modo de integração de todos com vontade, liberdade e conhecimento. sem teorias à mistura. sem lógicas convalescentes da sociedade actual. procurando criar uma comunidade para o futuro e para a mudança. para o modelo social que se deseja. para formar alunos, estudantes e cidadãos. e este dilema já nem o é. porque é óbvio que o modelo do século dezanove está a morrer a cada dia que passa. e o que era preciso, do lado de quem orienta o sistema, era coragem. da verdadeira. não daquela instaurada pelo medo como a que hoje temos. coragem de enfrentar medeia e ganhar o futuro. refazer tudo, mantendo o que já aprendemos com um século de escola para todos e partir daí. com toda a liberdade de criação. assumindo erros que iam ser cometidos mas procurando descobrir e fazer nascer a nova escola. isto sim, era a [r]evolução necessária.

||| leituras [im]perfeitas...



||| música [im]perfeita...

||| deitar coisas ao chão...


||| ... fiquei com a expressão "escola sem muros" na cabeça. já uma vez escrevi aqui um disparate qualquer sobre isso. sobre o que se passa na sala de aula e ninguém mais sabe. é uma simples constatação de facto. as escolas são locais silenciosos. não de silêncio. mas silenciosos para fora. há quem diga que são depósitos de miúdos. quem diga que a função da escola é ensinar e da família [fora da escola] é educar. há quem diga que deviam ser comunidades mas são organizações. há quem diga muita coisa. mas esta ideia dos muros é ilustradora. de facto há um muro. há um fora da escola e um dentro da escola. sendo mundos "inter-comunicantes" não o são na prática. ou para além do óbvio. raramente se sabe de um bom projecto, investigação ou actividade criada numa escola. só quando, por casmurrice de uns quantos, isso ganha dimensão para ser uma notícia que passa. a constância da abertura é aqui algo que seria fundamental. o saber o que se faz. como se faz. porque se faz. porque uma escola não são só aulas, exames e avaliações. são conquistas diárias, projectos e dedicação de tantos. e desafio passa por transformar essa lógica da escola cercada por muros de silêncio e mostrar o que se passa em cada dia, em cada ideia. será difícil. cada vez mais difícil. mas será revelador para combater o medo instalado. o descrédito. a construção imaginada do que hoje é uma escola. só assim se pode construir e reconstruir essa imagem para a aceitação e credibilidade. e é urgente que isto acontece. para bem de todos os que habitam a escola nos dias que correm.

24/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

al berto

||| do que não se vê, mas está lá...


||| ... às vezes ninguém repara. ou faz-se de conta que não se vê. não é no âmbito da função. directa. mas é. há um conjunto de professores que, mesmo com o tempo cada vez mais reduzido, procuram o futuro. procuram ser e estar no futuro para os seus alunos. procuram e esgravatam em todo o lado para saber mais. num constante e imediato movimento. mesmo depois das "aulas" terminarem. ninguém vê isso. ninguém, ou pouca gente, repara nisso. são aquelas salas cheias em conferências. são os cursos. os workshops. os seminários ou palestras. não. não são aqueles "obrigatórios". são os outros. onde só vai quem quer. porque quer. quando quer. quando ainda dizem por cima dessa vontade de ir: para que é que vais fazer isso se ninguém valoriza isso? a resposta devia e será sempre: é por mim. e por eles. pelos miúdos. para mim e para eles. mas tantas vezes nem vale a pena responder. não é preciso. é uma procura bela demais para precisar de resposta. é mesmo só um correr para o futuro. como se fosse possível apanhar cada dia novo. como se fosse possível, por um instante, estar mais perto do encanto que se quer entregar em cada aula. sem ser obrigatório. porque é só uma coisa que se tem curiosidade de conhecer. de experimentar. algumas às quais não se volta. outras onde se tem vontade de chegar e dizer: é fantástico. deviam experimentar. mas aqueles que cumprem o "obrigatório" não ouvem quem quer chegar mais cedo ao futuro. não percebem o correr para além do andar. e é deixar. cair. ou tentar. nem que seja dizer que é giro. por causa dos brindes. ou qualquer coisa que os tente cativar a irem também para além do "obrigatório". porque o futuro, esse, não pára de chegar. e está aí. já amanhã...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| destas coisas dos estrangeiros e das tecnologias...


"bbc interviewer: dr. poole, what's it like while you're in hibernation?
frank: well, it's exactly like being asleep. you have absolutely no sense of time. the only difference is that you don't dream."
in: a space odyssey (film)

||| ... a manhã foi passada na universidade de aveiro. se ando sempre numa relação de amor-ódio com as tecnologias a verdade é que isto se deve a outra dualidade. simples. a mestria e inteligência do carlos santos e do luís pedro elevam a minha relação com estas coisas. foi, no entanto, pela mão de procurar seguir a inteligência ímpar do professor antónio moreira que fui levado a descobrir estes dois seres [im]perfeitos. é que a tecnologia [digital e computacional], nos dias de hoje, para um professor deve ser tão natural como o uso da caneta. não sou daqueles que defende a divisão entre aqueles  que nasceram na era das redes sociais [e coisas que tais], dos outros. todos fomos apanhados no meio disso e tal como a invenção da bic [sim, a esferográfica] estar atento e perceber [e mover-se] no meio destas novas tecnologias é uma necessidade básica. mas, como sempre, acho que cabe a um professor, por muito inovador que seja pedagogicamente e no domínio destas coisas virtuais, ir um pouco mais longe. pensar. pensar o uso. pensar a lógica. pensar a estratégia. não é chegar e usar. ou ser ensinado a usar para ser uma utilização da "óptica do utilizador" como em tempos se usou. é mesmo o que, por exemplo, hoje se fez em duas horas e pouco. começar por pensar o que é preciso. como deve ser uma rede que sirva a escola e uma escola "sem muros". que reconheça o aluno como pessoa para além de estudante. e potenciar isso no espaço de escola. no real e no virtual. como o fazer. e também ensinar uma coisa que julgo fundamental. planear. definir uma estratégia. há um terrível hábito nestas coisas das tecnologias da moda: é pá, é giro: usem. o que gostei foi de ouvir estes dois pensadores da coisa dizerem como fizeram e o que estão a fazer. e mais do que isso. darem um desafio. vão, com papel e caneta. pensem. desenhem uma estratégia e depois voltem para o formato de ecrã. diriam uns que é uma estratégia pedagógica em modo "vintage". eu digo que é o que falta em muitas escolas e muitos, mas mesmos muitos, universos on-line que surgem e desaparecem como "panaceia" para o desinteresse dos alunos ou como sistema que tudo organizará. é por isso que o que hoje estes dois fizeram com um grupo alargado se revestiu de uma importância determinante. não é o sistema nem a plataforma, por muito boa e com milhares de recursos que possa ter, que vale por si. é a estratégia e o conhecimento científico, pedagógico e didáctico que o professor coloca no orientação do seu propósito de uso que determina o sucesso, utilidade e coerência de utilização da coisa em si. e é por isso mesmo que gosto tanto destes pedaços de tempo com eles. a tecnologia é filosofia. estava lá numa citação. e isso foi o que hoje aconteceu em duas horas e pouco. e ainda bem. venham mais...

[ver: aqui]

23/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

vasco gato

||| uma fabulosa lição sobre o medo...


"não espero votos, não sou susceptível de ira;
não exijo expiação por qualquer omissão no ritual.
não faço tremer o céu e a terra se convidarem outros deuses
e me deixarem em casa, ou se não me admitirem a aspirar
o fumo das vítimas. os outros deuses são tão exigentes
que é mais vantajoso e mais seguro ignorá-los do que
prestar-lhes culto. do mesmo modo há homens tão 
difíceis e tão irritáveis que melhor seria estar longe deles
do que tê-los como amigos."
elogio da loucura, erasmo

||| ... a entrevista [aqui]. de uma pessoa que ocupa um cargo. ministro da educação e da ciência. não foi uma entrevista. foi uma fabulosa lição sobre o medo. há três princípios fundamentais sobre a instauração do medo. o triunfo. a comiseração. a vã-glória. e todos, estiveram presentes em meia hora de tempo de antena. do triunfo resta a palavra: concluído. é simples. está feito. conseguido. e isto mostra força. pode ser bacoca. mas é uma força. a força de um aparelho que se julga sistema que esmaga o indivíduo. joga com um "uns contra os outros". conseguindo. e eu pensava em todos. enquanto ouvia. os que foram fazer a prova com esse medo. mas ao mesmo tempo com o sonho de serem, um dia professores, do qual não abdicaram mesmo sabendo que esta prova era injusta. naqueles que desistiram em desobediência. porque é a única coisa a fazer de nobre perante algo que se julga de injustiça maior. aqueles que vigiaram. mandados. sob a pena, também eles, do medo. ou do cumprimento do dever que lhes foi instado a cumprir. e naqueles que agitavam as águas aguardando pelo fim da coisa. lutando por ele. todos perderam porque todos estavam contra todos. e com isso permitiram o triunfo oco mas dito: está concluído este processo. e o medo instala-se. quando se ouve ou lê: quem não fez está fora dos concursos. e o medo ganha a forma de um sistema. está feito. e depois vem a comiseração. a lástima. o sorriso que esconde o que se sabe e em breve será usado. a piedade. é para o bem comum. por um lado. é pena que assim seja mas vão ver que tenho razão. daquele lado. como se a razão fosse só uma. o sorriso que escondia os "resultados" já trabalhados sobre a outra prova já feita. a comiseração pela autodestruição das forças já conseguida por elas próprias. muito ouvi: a prova é fácil. até um miúdo de quinze anos a fazia. faça a prova e seja professor. e coisas que tais. quando o trunfo dos resultados for usado a razão será chamada a um dos lados. e não importará para a equação o peso do momento e da forma em que foi feita. será dito: tenham medo. estão a ver. era disto que estávamos a falar. e o medo, esse ronda agora quem dizia tudo em voz alta. é e uma estratégia conhecida. vem nos manuais políticos sobre a coisa. e foi fabulosamente levada a cargo. fabulosa de fábula, se ainda não leram dessa forma. porque depois vem o remate final. o medo ganha forma na vã-glória. é assim que lhe vemos o corpo e a forma. fiz isto tudo. mudei tudo, melhorei tudo. cumpri. e quando se pergunta o que falta fazer... não se fala das pessoas. fala-se do dinheiro que não havia para fazer escolas mais bonitas. melhores. das estruturas. a vitória está feita e por isso aos vencidos resta o medo. o medo instalado de que alguém se torna invencível. nem a brilhante ironia de quem entrevistava permitia destruir esta construção fruto de um maquiavelismo fabuloso. mas resta nisto tudo uma esperança. é que estes princípios de construção de um império da palavra e construção do medo tem os "pés de barro". e há nisto tudo muitos calcanhares de aquiles. basta um páris encontrar o caminho que é tão claro como a estratégia. e sem demagogias sindicais ou brandos pensamentos estratégicos de igual mediocridade e o medo cairá. e quando cair o medo, haverá novamente, uma escola, uma ideia e um futuro. agora não. agora há isto. infelizmente. 

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| a lógica nisto tudo...


||| ... fui dar um salto de leitor até à prova [aqui]. só para espreitar. e eis que me deparei com as entrelinhas. gostava de, um dia, ser mosca e assistir à criação destas provas e dos exames. imagino sempre um conjunto de pessoas em modo "governo sombra" a escolherem a melhor forma de passar mensagens escondidas para bom entendedor. mas isso sou eu que sou um adepto da teoria da conspiração. cá vai a leitura, nesse modo, da dita prova de avaliação de conhecimentos e capacidades. começa com a caneta. como o futuro é negro, assim também deve ser a tinta sob pena de não classificação. um elemento claramente exclusivo, por exemplo para mim, que não escrevo a preto. e depois o primeiro texto. lindo. adoro r. migueis e não podia ser mais bem escolhido. especado entre sacas de batatas e de arroz [se a asae sabe disto..] lá fui mergulhar no texto. fiquei logo parado na carestia. da vida e da política. já tinha percebido, logo ali, que era preciso dizer que a prova era culpa da crise. mas não era só isso. o sr. marçal estava lá. e ser republicano é aceitar a educação como motor de mudança. sr. marçal. engraçado. mas é teoria da conspiração a mais para já. por isso continuemos. e como está na moda o "sentados e calados" como modelo de disciplina, lá saltam ao meu olhar os "perigos de andar de boca aberta a dar «vivas»". é isso mesmo. obedecer caladinhos. e pronto. estavam abertas as hostilidades. não bastando desde já o texto de migueis vem o teatro. começa a ser usada a ironia. no clube de teatro. não se aguenta esta ironia simples e clarividente. é que já nem clube de teatro há quanto mais tempo para cinco crianças prepararem o auto da barca do inferno. ou então estou a ler mal. é que as horas a mais em português eram para isto. para os miúdos trabalharem o português de gil vicente. bem pensado. eu é que não estava a ver. agora estou iluminado. até o parvo lá anda. e ainda bem. está no local certo. e pronto. saltamos da irrealidade da coisa para o absurdo. o dia da raça é acompanhado agora pelo dia do patrono em que se joga... imaginem... bridge. em todas as escolas que conheço é um dos jogos favoritos dos miúdos. ups... lá estou eu atrás do tempo novamente. é que com a futura venda das escolas algumas vão tornar-se neste mundo onde as crianças vão jogar bridge numa conversa lógica sobre poesia enquanto fazem jogos em inglês. é mesmo isso. estou a ficar velho. e enferrujado. está visto. pronto. tudo se normaliza em mais uma pergunta. não fossem as "artes", definidas como coisa simples: as artes, serem um opção. mas nisso tudo normal. deve ser do hábito. e claro está avançamos para a salvação. "os mortos que existiam há nove anos, chegam agora vivos ao hospital". dizem que a cia tem um plano para os zombie. seria isso talvez que seria urgente estudar para esta prova? se tudo é assaz insólito esta escolha ainda mais. tudo nonsense até aqui. mas não é bem assim. lá estou eu desactualizado. deve ser uma mensagem escondida. daquelas sobre os horário zero. em breve ressuscitados. penso eu... devo estar a alucinar. já não consigo ver mais mas ainda faltam muitas perguntas. tenho que conseguir. continuemos. ups... ferroviários agora? que salto. dos mortos para os comboios. olha... nestes comboios ainda há classe média. curioso. nos verdadeiros só há primeira e segunda classe. deve ser no futuro. pronto... mobilidade. cá está, mais uma. o pessoal tem que se preparar para ir de viagem. bem pensado. assim o choque é menor. só esta questão dos bilhetes é que precisam rever não vá enganar quem pensa que há mesmo esse preço médio. e chego ao texto/entrevista do imenso josé cardoso pires [que deve estar a dar voltas por ter ido parar aqui]. e entra o surrealismo. não há regras. ó pá, então e a disciplina. ai que agora perdi-me. ah... é para a autonomia das personagens. já cá faltava a autonomia. pois. passando as escolas para as autarquias e para a autonomia da coisa lá se vão as regras. bem pensado. demorei a chegar lá mas cheguei. salto para a escola que guarda umas verbas para premiar alunos. nem vale a pena comentar. ou vale? e o mapa do metro e transportes. a lógica é a mesma da dos comboios. com uma diferença. há uma descriminação positiva para os professores de lisboa. hummm.... quer dizer que quem faz as provas anda pela capital. mais um bocadinho descubro a morada. gostei particularmente do picadeiro. mas a ironia das ironias chega com a pergunta dos certificados. tomem lá. o certificado não vale nada sem a prova. perceberam? tudo devolvido pelos serviços. pimba. não está no sistema on-line é o que dá. é que agora é tudo on-line. ainda não sabem? não podem passar na prova assim. e chegamos aos provérbios. toda a comunicação social ficou pelo galo. eu gosto particularmente do torto. é que esse sim, aplica-se, perfeitamente. começou mal e vai acabar pior tudo isto. não tem forma de se endireitar [por lá anda indireitar, ainda por cima]. e agora vou fazer uma adivinhação. acho que as pessoas que fizeram esta prova devem estar fechados no gabinete deste mil novecentos e noventa. é que os impostos ainda rondam os dezanove por cento. bons tempos. acho que a mensagem aqui é mesmo política. é preciso uma baixa de impostos para o pessoal todo deixar de andar baralhado. mas por outro lado, tudo somado, os impostos já passam o valor actual. será daquelas mensagens para depois dizerem: eu disse no dia dez que ia subir o iva. estava na prova... para terminar que já vamos longos, quem cresceu vinte por cento em investimento em educação? quem foi? o mundo está melhor assim. e para terminar uma homenagem a david justino. é bonito. fica sempre bem. e vice-versa, como está no texto. está tudo na paz do senhor. dos senhores. e ainda bem. não faz a família, faz a escola. e tudo isto era giro se não fosse uma prova. uma absurda e completamente abominável forma de excluir quem deseja um dia ser professor. tudo isto daria para rir se não fosse o seu propósito. por isso, não tenho vontade de rir. nem de sorrir. tenho vontade de dizer que tudo isto é um erro. maior. imenso. enorme.

22/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

luís miguel nava

||| tal e qual uma aula [im]perfeita...


||| ... para fazer um ditado: ser professor é ensinar. é pensar, planear e dar aulas. é partilhar conhecimento. saber e saberes. é aprender. tudo, sempre, novamente. reaprender. repensar. é estudar. ser professor é acreditar na escola. é ser uma escola de pensamento. uma escola de ciência e de humanismo. ser professor é precisar de tudo, sempre, mas principalmente de ter tempo. tempo para ensinar. tempo para aprender. tempo para todos e cada um dos seus alunos. é ajudar a organizar a escola. ver a escola como uma organização viva. presa e suspensa do futuro para que prepara. é antever o amanhã e ensinar tudo isso hoje. é saber avaliar tudo isso. com e sem testes. e ser avaliado. por si próprio. pelos outros. pela forma e pelo passado, presente e futuro dos seus dias. ser professor é ser o tecedor da base fundamental da sociedade que se deseja. que todos desejamos. ser professor é desejar sê-lo. todos os dias. mesmo naqueles em que tudo corre mal. ser professor é fazer quilómetros de estrada. conhecer dezenas de escolas. milhares de alunos e professores. e esperar por um dia ficar mais uns anos numa só. criar laços e desfazer laços num tempo em que tal já nem faz sentido. não ser funcionário. não saber funcionar. saber pensar e saber fazer. ensinar a moldar os dias. os seus e os dos seus alunos. ser professor é conquistar o respeito que se deseja ter. em cada atitude. em cada gesto. não esperar nada que lhe seja concedido. conquistar cada lugar de mérito e cada direito. ser professor é saber que só uma memória lhe será dada num tempo mudo. uma guardada um dia em um qualquer aluno seu que o recordará sem ele nunca o saber. é saber que todo o sistema está contra ele. desconfiado dele. e mesmo assim ir todos os dias trabalhar com a confiança que não é no sistema que reside a sua força e a sua razão de ser e existir. e esperar que um dia isso mude. desejar todos os dias que isso mude. é saber que o seu valor não reside numa nota. reside no que consegue dar de si. e saber que é dos poucos profissionais que dá tudo o que tem ao dar tudo o que sabe. é esperar respeito. somente. de quem o diz dirigir num caminho que conhece melhor do que quem afirma saber que o caminho que proclama é melhor do que aquele que ele vê. e ser professor é esquecer sempre que se é tudo isto. e ser mais. muito mais. nem que seja só por um momento. numa sala de aula qualquer, onde ninguém vê, sabe ou ouve. apenas ele. que é professor, por tudo isso. 

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| só me lembro de maquiavel...


"e aconteceu também com aqueles imperadores que, 
sendo homens comuns, pela corrupção dos soldados,
ascendiam à cabeça do império.
estes dependem inteiramente da vontade e da sorte
de quem lhes concedeu esse estatuto,
que são duas coisas muito volúveis e instáveis.
não sabem nem podem 
conservar esse estatuto. não sabem porque,
não são homens de grande engenho e capacidade, não é
razoável que, tendo vivido sempre como homens comuns
saibam comandar. não podem porque não têm forças
que lhes sejam dedicadas e fiéis."
o principe, maquiavel

||| ... tenho um hábito recente. sempre fui de ver pouca ou nenhuma televisão. nos últimos temos inverti esse sentido. um hábito criou-se. com um breve e curto pequeno-almoço espreito as notícias da manhã num telejornal matinal. e hoje era sobre a escola. e a prova. era uma espécie de "aguardar a catástrofe". e circulavam as imagens cruzando-se os portões de vários espaços escolares. uns atrás dos outros. com jornalistas a falarem com professores. vai fazer? vai entrar? e a espera era mesmo por um movimento mais brusco. uma palavra desafinada. e no meio de tudo aquilo reparei num conjunto de figuras vestidas com a farda policial. iam garantir a segurança. a ordem. nesse momento, como noutros, fiquei pensativo. estas imagens vão inundar a chamada "comunicação social" nas próximas horas. a escola cercada. guardada. dos seus guardiões. e tudo me pareceu tão surreal que só podia ser montagem. mas não era. era mesmo isto. sem conhecimento ou explicação os jornalistas falavam do que não sabiam. os professores acalorados por uma luta justa e por injustiças sucessivas levantavam a voz e procuravam conquistas. e tudo me pareceu tão estranho. como chegámos aqui? eu que sou professor e que sou um profundo defensor da desobediência civil sempre achei que quando é injusta a lei a única opção é desobedecer. e isso era esperado perante tanta coisa injusta criada nos últimos anos por um ministério que está a fazer explodir, por dentro, a educação. mas a desobediência deve ser poderosa na forma e espantosa na coerência. e a desinformação aqui é total. e por isso perigosa. ou muito bem feita por quem quer ver a escola a desaparecer. são uns contra os outros no mesmo sistema e a imagem que se quer criar é que os guardiões da escola são aqueles que não querem passar por uma avaliação. falta aqui uma imensa clarificação. o sistema tornou-se tão denso que não é fácil dizer: esta prova não serve para avaliar nada. porque ninguém hoje sabe o que faz um professor. para além de dar aulas isso não é claro. e por isso os julgamentos são simples de fazer. é aqui que tudo é maquiavélico. porque é cirúrgico. estratégico. é fácil desagregar uma imagem construída pela seriedade do trabalho que a maioria dos professor faz. é só filmar uma destas cenas criada para isso mesmo e a repetir sem fim durante um dia numa televisão qualquer. é também assim que se destrói a escola. e maquiavel tinha razão. muita razão. quando aqueles que chegam ao poder não conseguem ter a dignidade necessária para o cargo tudo corre como previsto. imperfeitamente. mal. de maldade. contra. e isso vai levar muito tempo a recuperar. que quem venha a seguir venha por bem. pois tem muito, mas muito trabalho para fazer...

21/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

cesariny

||| maldita prova dos nove ou da boca do inferno...


||| ... já muito se escreveu desde o momento em que o ministério da educação fez levantar dos mortos [qual lázaro] a prova para quem deseja um dia ser professor "de carreira" ou simplesmente sonhar em ter um qualquer lugar numa lista com o nome de "necessidades transitórias" ou similar porque até lá arranjam outro nome para a precariedade de tudo isto. e não vou entrar na análise que pacheco pereira [aqui] fez tão bem sobre a imoralidade da marcação "à socapa" da dita prova. nem coisa que o valha. os estratagemas só revelam o que sempre tive em mente. não é incompetência. é estratégia. sim, se muitos acham que tudo isto são erros atrás de erros ainda estão num estado de negação evidente. não, não são erros. é muito bem pensado. e é o que antigamente se chamava de cerco. fernando alves [aqui] lembrou a emboscada. embora ache o texto que ele lê como ninguém, brilhante, acho-o limitado neste conceito de emboscada. é mesmo um cerco. daqueles medievais. que dura há uns anos. que cerca toda a escola. e todos os que nela estão. dos directores aos professores, dos funcionários aos alunos. porque é persistente. medieval no pensamento e na brutalidade. desgastante mais do que abrupta. é desvirtuosa na forma e imoral no processo. é um ataque silencioso e estratégico. é muito bem pensado. ao contrário do que parece. é malévolo. e isso é que é preocupante. tem uma intenção. não é circunstancial. e a prova é quase a forma simples de dar um dos três golpes de morte. sim, num cerco há três objectivos fundamentais. desgastar. desmoralizar. destruir. qualquer versão barata da "arte da guerra" ensina isso. e estes três objectivos são concretizados e materializados em acções. primeiro há que "tratar" dos mais fracos. a prova toma conta disso. os professores que não são de "carreira", os chamados de "contratados" são um alvo fácil. e de desmoralização simples. basta retirar aquilo que lhes dá acesso ao sistema. a verdade da aprendizagem feita nesse mesmo sistema. e substituir isso por um instrumento controlável. que faça uns desistir. outros revoltarem-se. outros, simplesmente [e o mais importante, perderem a vontade de combater o sistema]. e quando tudo e todos pensavam que lázaro estava morto e enterrado eis que ele se ergue. surpreendentemente, dizem uns. só quem não percebe esta visão desonrada do "cerco" podia pensar que não viria ainda mais uma vez este momento único de "limpeza". é que há aqui uma coisa que falta. no século dezassete e dezoito a guerra ganhou uma nova leitura. era a nobreza do campo de batalha que espelhava o triunfo. e não a técnica ou a táctica. e isso foi algo que este ministério não aprendeu. ou nem deve saber o que é. a honra. a nobreza. porque estar na política assim não é um erro. é um desrespeito. é imoral. é uma desonra. porque isto não é gerir e já nem é mandar. é soberba. é falta de respeito. é um atentado. e quando as leis e as regras. e quando os actos e as fórmulas. e quando os feitos e as mostras são como o são neste caso, resta a quem serve este senhor fazer apenas uma coisa. resistir. desobedecer. e é assim que se ganham os cercos. resistir, sempre. desobedecer, cada vez mais. dizer não. e esperar. os senhores, como estes, acabam sempre por cair. mais tarde ou mais cedo. por uma simples razão. são senhores temporários. de um tempo que não é o seu. e assim, ninguém ganha e todos perdem. restam apenas aqueles que vão resistir mais uma vez. deles será sempre o futuro. quer queiram, quer não...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| olhar para as coisas sem as coisas serem só coisas...


||| ... estava aqui a pensar. estando sempre no sistema, dentro do mesmo, de uma forma ou de outra, nunca consigo um distanciamento claro. racional. e eu, anarquista racional, preciso desse distanciamento para perceber o que se passa. e olhando para as pautas dos exames nacionais parei por um pouco. fui espreitar os resultados nacionais. história, sempre a par com a matemática, faliu. sucumbiu à força do desgaste em virtude de muitas outras que subiram. adoro sempre esta análise como se tudo fosse um barómetro. subiu, desceu. manteve. e na semana antes tinha dito numa conversa paralela com outros professores que isto ia acontecer. que as "notas", iam subir. e até arrisquei que no caso de história iam descer. como o meu destino como professor está cada vez mais comprometido por um sistema que diz que não precisa de mim, estou a pensar ir para cartomante. com esta previsão [óbvia] até me saí bem. podia dizer até: eu tinha razão. mas não. a razão é tão clara que só não a vemos porque achamos que o sistema ainda tem qualquer pingo de respeito por quem, nas escolas, ainda ensina e ainda aprende. mas tal já nem é verdade. a parte do respeito. não é mesmo verdade. é um jogo. estranho e incompreensível por se tratar do futuro e não de uma eleição ou legitimação. lembro-me de uma excelente professorar da física que, um dia, numa aula fascinante como só ela sabia dar, que o cientista é o mestre da ilusão. para obter os resultados que quer cria a ciência que imagina. e com isto gera novo conhecimento. e lembrei-me dela ao pensar que este momento, estes exames nacionais, davam um excelente estudo sociológico/psiquiátrico. ao olhar para os resultados e as médias só me aparecia uma palavra: legitimação. pronto. afinal era verdade. com mais alunos por turma, menos professores, uma escola em destruição massiva era possível melhorar resultados. era e a prova estava ali. naquelas pautas. mais matemática e mais português. menos de tudo o resto. e a receita resulta. está ali. para quem contestar. será possível dizer num qualquer "sondbite" que a coisa subiu. estão a ver! era possível! e até estamos melhor! nessa altura já ninguém se lembrará que os exames eram mais fáceis. que os alunos levaram um ano sem pensar só a trabalhar e treinar para "o" exame e que tudo o resto que faz de uma escola uma escola desaparece a olhos vistos. para o todo restará esse "sucesso". e isto dava mesmo um estudo. de como se podem manipular as massas, de como se pode iludir com truques de mágico barato e de má qualidade uma sociedade desgastada pelo correr dos tristes e pobres dias. a escola, transformada num "depósito" de alunos continuará a definhar com aventuras destas. e o que se segue ainda é pior. porque já se percebeu que, assim, tudo vale. e quanto à descida em história? para não falar da matemática que nada sei... é simples. a culpa é dos professores. como sempre, dirá o ministério. mas não é. é de um exame que desbarata a inteligência e a preparação que professores que sabem o que fazem fizeram com os seus alunos e por ser uma disciplina onde a lógica sem ilusão ainda é necessária. e isso não se dá como este sistema. este ministério. e esta política educativa. será por isso que a matemática também está como está?...

11/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

maria teresa horta

||| enquanto houver estrada para...


||| ... e foi assim que decidi manter aberto este espaço. assim, como o comecei. este será o ano um. depois veremos. infelizmente em educação e nos tempos que correrem muita coisa há para dizer. melhor, para pensar. por isso vou fazer umas "obras" nesta casa. vão surgir três separadores laterais, em breve. um para projecto educativos com o "selo" professor [im]perfeito. isto é, recomendarei ou darei a conhecer projectos que podem ser relevantes para todos para o trabalho com alunos ou professores. só recomendarei o que conhecer e que sei que posso indicar como de relevantes, inovadores ou de excelência. abrirei ainda um espaço para aulas. fui fazendo isso aqui ao longo do tempo em pequenos textos. irei sistematizar tudo isso e criar umas sugestões de trabalho que desenvolvo ou que posso vir a desenvolver explicando o como faço e o que pode correr bem ou mal. geralmente mais mal que bem... mas isso é normal para este lado de [im]perfeições constantes. e por fim um último separador com recursos. podem ser apresentações, vídeos, filmes, livros, ideias. tudo o que pode ser usado em contexto de sala de aula ou para a prática lectiva. e pronto. as coisas disparatadas e as reflexões [im]perfeitas de alguém que é só mais um professor vão andar aqui. neste universo virtual. obrigado, a todos/as que me vão lendo com a paciência inerente à loucura e perigo de ler estas coisas sem pés nem cabeça...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| abaixo o quadro de honra. sim, não, mas talvez...


||| ... desta vez demorei um pouco mais a pensar. o texto que partilhei numa rede social aqui ao lado [este texto: aqui] levantou uma interessante discussão. não conheço a autora nem a sua linha de pensamento por isso não me vou deter nisso. vou começar por explicar a minha demora nesta pequenina reflexão sobre o tema. é que tenho uma imagem presa na memória. a minha memória é fotográfica, quando a tenho. e a imagem é de uma escola onde estive a dar aulas, escola teip, onde o quadro de honra estava metido num vão de escada, afixado e perdido por lá, onde só com muita sorte alguém o poderia ver. foi preciso desconstruir esta imagem para conseguir escrever estas linhas. e já estão. ora bem. vamos lá. eu faço uma distinção que já partilhei aqui. não é uma distinção. é uma observação. todos o miúdos são alunos mas todos precisam de aprender a ser estudantes. coisa que alguns conseguem ser "melhores" do que outros. os quadros de honra ou mérito evoluíram do que a autora escreve. de mérito: para os estudantes, passaram a honra: para todos os alunos. em grande parte é assim. há os méritos para os melhores estudantes mas também o reconhecimento por outras coisas: o apoio e ajuda, a solidariedade, o desporto, o ambiente, etc. com isto passou-se do mérito para a honra. eu que sou um amante das palavras sei que isto quer dizer muito. mérito vem do conceito digno de reconhecimento [já volto aqui]. honra está ligada à "dignidade" e "boa vontade" e está muito mais ligado a uma lógica de reputação. ora, reputação e reconhecimento são coisas muito diferentes. e é aí que entra a minha posição. se pensarmos no futuro muitos destes miúdos que um dia vão ter uma profissão vão encontrar os quadros disto e daquilo. basta lembrar a moda americana [e desculpem a costela esquerda - também tenho direitas - capitalista] do "empregado do mês" ou dos objectivos para remuneração. isto é o reconhecimento. que alguém atribui. que é dado. a conquista é apenas feita pelo cumprimento das regras. no caso dos miúdos: estudar. ora, a minha ideia foi sempre que o estudo é preciso treinar. um miúdo treinado para ser um bom estudante, cumprindo todas as regras, pode "entrar" por proposta [pois é assim que é feito] dos outros [os professores que reconhecem o cumprimento dessas regras] no tal quadro. aqui o mérito é mesmo limitado. ao cumprimento. agora vem o resto. a reputação. a dignidade e a boa vontade. é aqui que navego com muito mais facilidade. por isso sempre tive uma lógica similar nas minhas aulas. quase como um "espaço para a honra". todos nós temos nas turmas bons alunos, bons estudantes e bons miúdos. o mérito não é medido por competição. é medido, a meu ver e com os meus alunos, pela colaboração. por isso há um quadro que gosto muito mais. afixado quase sempre no inicio do ano vai até ao final do mesmo. está dividido em três partes: o que aprendi. o que não sei. a quem vou perguntar. e ao longo do ano vai sendo preenchido. aqueles alunos que são bons estudantes podem assim revelar-se como bons miúdos. e todos como alunos. há na dignidade de partilhar o conhecimento muito mais reconhecimento do que numa placa afixada num qualquer vão de escada validada apenas por um grupo que reconhece ao outro o direito ao seu mérito. por isso não posso dizer abaixo a coisa. posso dizer que a coisa, pensada de outra forma, pode, de facto, ser útil para valorizar a reputação, a dignidade e a bom vontade dos miúdos. tem é que ser útil. e ter valor. prático. sem ser aquela imagem com que comecei estes disparates que agora acabam aqui. foi o que pensei, pela minha prática e porque acho que quer o mérito, quer a honra, não são coisas que se "penduram". são coisas que se usam. e isso é preciso ensinar aos miúdos. alunos e estudantes...

10/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

alberto caeiro

||| três direitos novos ou velhos...


||| ... deviam existir três direitos fundamentais no estatuto da carreira docente. não estão lá mas valia a pena fazer uma adenda. o direito ao silêncio. o direito à pausa. e o direito à palavra. o direito ao silêncio é fundamental para um professor. em várias vertentes. o direito a reclamar o silêncio na escola. ou num momento de uma aula. ou de trabalho. devia ser um bem adquirido pela civilidade. não é o silêncio obrigado. é o silêncio como espaço de reflexão. para se pensar antes de falar. para se ter direito à reflexão. para não sair tudo o que apetece a toda a gente no contexto da escola. o silêncio para a reflexão. e o direito à pausa. se eu fosse falar de descanso iam cair-me em cima. pausa. somente. ter direito a dizer: preciso fazer uma pausa nas coisas inúteis que me roubam o tempo para dar aulas e para pensar e preparar as coisas para os miúdos. essa pausa podia ser o tempo necessário para ir a um museu, ao cinema. para ler um livro. para ir a uma tertúlia. pausa. porque quer digamos ou não a profissão de professor é de um desgaste imenso. rápido e profundo. e a pausa devia ser um direito consagrado para a profissão. tornava tudo muito mais simples. mais rico. e por fim o direito à palavra. não. não é o direito de dizer. é o direito à palavra. de não ser "estranho" por se usarem palavras "que eles não percebem". de recuperar a palavra como elemento fundamental para o conhecimento. de elevar o discurso e as discussões. de tornar a palavra o caminho simples para o saber. o aprender. e não só com os miúdos. entre nós, professores. a simplificação de tudo tem um preço. um peso, um resultado. reclamar a palavra bem dita, bem escrita, bem pensada, complexa e rica é urgente. e o direito a usar dessa palavra sem ser visto como "intelectual" na casa onde a intelectualidade devia ser palavra de honra é um direito fundamental. três direitos que reclamo. sempre que posso...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| desta coisa de estar sempre ajudar...


||| ... da alta definição da realidade afasto-me um pouco. para ver. sou do tempo em que se chumbava. sim, de chumbo. metal perigoso. agora. agora é o cobre. de cobrar. também perigoso, dizem. de metal passou-se ao plástico. e ao pvc. e ao contraplacado. já não se chumba. nem se fica retido. ou não se prossegue. ou transita. é aprovado ou não aprovado. de prova. ou qualquer coisa parecida. transita, de trânsito ainda vai valendo. mas nada disso importa. quer dizer, importa. porque as palavras importam. volto ao princípio. sou do tempo do chumbo. como aluno alguns dos nossos colegas ficavam "para trás". repetiam tudo. uma vez mais. não era bom, dizem agora. os ditos estudos. é caro, dizem outros. passou tudo a ser medido pelo preço da coisa. um aluno que "reprova" [outra palavra maldita] custa x. os outros que não chumbam custa menos x. e um professor custa x. e uma turma custa y. mas ainda não é isso que importa. o que estava a pensar afastado da alta definição da realidade era mesmo no esforço. na cultura do esforço. é que saber que hoje estamos a encher os professores do esforço de conseguir "recuperar" os alunos que estão para chumbar. é do lado do professor que está o peso da possível recuperação. o aluno só tem que se "apresentar" ao serviço. quase como castigo sem o ser. ou como se tudo, por um toque de mágica, fosse possível corrigir. como se um ano de faltas pudesse ser corrigido por uns dias de presenças. são as "estratégias" de um sistema que acha que é caro tudo. e assim, dando a volta à coisa, sai mais barato. lembra o remendo no pneu que já não tem cura possível em vez do investimento necessário. de prevenção. é que é tudo caro. muito caro. pois é. é a hipoteca do esforço. e do futuro. e do conhecimento. e da escola. é só isso. é caro. muito, mesmo...

09/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

nava

||| o que fazer quando a razão parou...


||| ... este espaço começou em outubro. tinha um propósito. seguir os dias de um professor [im]perfeito. eu. agora que termina o ano lectivo e a razão desta aventura se extingue com ele também não sei o que lhe fazer. se o "descontinuar" como é moderno dizer, se o continuar e alargar. não sou nenhum investigador ou "sábio". nem "comentador". nem nada que o valha. aqui vim, durante estes meses partilhar umas coisas. abrir uma ideia que sempre defendi. que devemos partilhar como fazemos as coisas. por isso partilhei "aulas" pensadas para os meus alunos. não são melhores nem piores do que outras. são as minhas. como faço. e fui partilhando estados de alma. a verdade é que este espaço nunca foi para ser o que já é. era para os meus alunos "verem" como pensa e sente o seu professor. o que pensa e o que faz, para eles e por eles. alargou-se nesse objectivo a ser um pouco mais do que isso. e ainda bem. comecei a gostar dele. de aqui vir dizer estes disparates [im]perfeitos. e agora que se fecha a sua razão de existir não sei o que fazer. a emoção diz para continuar. a razão diz que quando a lógica inicial se afasta a divagação se aproxima. veremos. mas que tem sido uma aventura para guardar na memória, tem. mesmo cheia de [im]perfeições. e ainda bem. acima de tudo, o meu obrigado, a quem lê...

||| leituras [im]perfeitas...



||| música [im]perfeita...

||| navegar é preciso, criar ainda mais...


||| ... de tempos a tempos faço isso. vou procurar coisas. navegar é preciso. e lá sigo as regras do google. embora seja de procurar em mais um ou outro "motor de buscas". e tento sempre em várias formas. em português. em inglês. em francês e em espanhol. é o que dá. mais do que isso não sei. aprendi três anos alemão mas já me esqueci de tudo. e procuro tudo o que possam ser ideias ou estratégias para criar dinâmicas de aprendizagem em sala de aula. para além de uma overdose de coisas vindas do outro lado do atlântico [muitas de primeira intervenção ou de análise ainda em construção] encontro muita coisa boa longe. e muita coisa tem uma overdose de tic. papel e coisas simples não é tão fácil encontrar. é preciso ir muito longe mesmo. curioso que as práticas mais "disruptivas" com o comum surgem quando vamos para o lado dos centros de recurso australianos. é curioso. penso. mas o que encontro acima de tudo é uma das fundamentais características do ser humano. a reserva. nunca se partilha o como se faz. os recursos, tirando casos pontuais, tornam-se produtos para venda quando dizem o como e por isso temos que pagar por uma ideia. não sou contra a ideia de mercado. mas acho que no que diz respeito à educação devia haver muito mais partilha. e não são estudos. ou estudos de caso que agora é moderno dizer assim. é mesmo metodologias. o fazer. como se faz. tenho pena sempre de encontrar essa reserva no espaço da educação. o conhecimento tem a natureza de empurrar as civilizações para o futuro. e a escola e os seus agentes deviam ser  motores dessa partilha. e desse "acelerar" o conhecimento do futuro. o mundo da internet ainda é muito composto por esta ideia de "montra". talvez o futuro seja mesmo esse. a versão três ponto zero da coisa tem que ser centrada no conhecimento. ou corremos o risco de ter o mundo na palma da mão mas transformado numa rua de montras fechadas ou de acesso apenas para alguns que podem comprar esse mesmo conhecimento. naveguemos, então. que o tempo não espera por nós nem pelas novas ideias...

08/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

saramago

||| acho que ninguém imagina...


||| ... e eu a pensar que já não se fazia nada por aqui. acho que ninguém imagina o trabalho que há para fazer e a ser feito nas escolas neste tempo em que não há miúdos por lá. não, o trabalho do professor não se resume a dar "umas aulas". a escola é agora uma instituição cheia de coisas para fazer. seja porque há exames para corrigir, reuniões para estar presente e participar, projectos a criar ou encerrar, turmas para fazer ou planos para criar. aulas ainda há. embora toda a gente pense que não. e reuniões de turma ou de coisas para fazer. e formação. interna. externa. e avaliação. relatórios de avaliação do trabalho de um ano ou mais. e tudo resumido num fim de ano lectivo demasiado complicado e demasiado pesado num tempo em que o corpo e alma já pedem algum descanso. e não é só aquele descanso das férias. é pausa. afastamento, mesmo. porque durante o ano foi-se raptado pela escola. todos os dias. e agora é preciso esse afastamento. natural. para recompor a mente. para recompor as forças. mas não é esse tempo que aparece ainda como claro e perfeito neste tempo. este ainda é o tempo da escola que pede mais uma coisa para fazer, por fazer, urgente. necessária. e devia, um dia, ser feito um verdadeiro trabalho jornalístico e público sobre isto. para que seja claro que ser professor é muito mais do que "ir ali dar umas aulas". muito, mas muito mais, do que isso...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| destas discussões sobre o estado do monstro...


||| ... esta tendência tem sido seguida nos últimos anos. quando a escola está em fecho do ano lectivo e organização do próximo a "tutela" [um dia falarei sobre este conceito] lembra-se de colocar uma nova aventura "à discussão". agora é a notícia da municipalização das escolas. ora vamos por partes. começar por lembrar que o senhor que agora ocupa um dos lugares mais rotativos dos últimos quarenta anos entrou pela porta com uma tshirt a dizer: implodir. estas frases sempre seguem quem as diz. mesmo que retiradas do contexto ou ditas para chamar a atenção necessária para ser "o/a" escolhido/a. pois bem. ao chegar lembro-me bem que a frase que se seguiu foi: isto é mais complicado deste lado. pois, é sempre. é por isso que não se deve falar antes de tempo. duas coisas se tornavam evidentes. o sistema todo é caro. tem "gente a mais". basicamente é um enorme gabinete de gestão de recursos humanos. ora, o tempo era todo disso. cortar. em tudo. em número e em expectativas. tudo sob o mando diáfano da fantasia do combate ao "eduquês" [o que quer que isso fosse]. era preciso exigir e respeitar. sentados e calados. todos. e não eram só os alunos. eram todos. rapidamente se tornou claro que a forma de comunicação não era a melhor e o objectivo era só um. cortar despesa. fosse ela na forma de pessoas, fosse ela na forma de organizações/organização. e disfarçar tudo com o rigor. muito mais português e muito mais matemática. o resto é paisagem. e resumindo foi isto. é isto. não importa que as salas ficassem cheias. nem que os miúdos tivessem que fazer muito mais quilómetros para chegar à escola. importava a eficiência do sistema. e os custos a reduzir. e pronto. chegados os mapas ao fim deste tempo ao tampo da secretária uma coisa era ainda evidente: é caro, ainda. e mais do que isso. o estado, esse ser sagrado, não tem que andar nestas coisas. o estado providência é uma coisa obsoleta. coisa de pensamento neo-liberal como foi baptizado. por isso, a educação das almas pode muito bem ser feita por "outros agentes". venham os privados. não chega. venham as escolas em autonomia. mas é claro que um franchising [no pensamento mercantilista da coisa] dá sempre uma trabalheira e isto até nem é coisa que dê lucro. ora então... vamos lá pensar noutra forma. a única palavra que encontro é: trepasse. pode parecer absurdo mas é o que me surge como ideia. ao ler os planos [porque agora tudo parece uma cena tirada do wikileaks] descobertos cheios de grelhas com cruzes de todos os tipos e feitios, o que aparece é isso. um trepasse. mas que importa então isso. não é uma "estratégia de proximidade"? não é assim em mais de metade dos países da europa? não. é o canto do cisne. a desistência total por ausência de competência para gerir um sistema que precisa de uma reforma profunda para poder voltar a funcionar. eu que sou um acérrimo defensor de uma identidade e plano de escola sei que este modelo vai cair no caciquismo local. e mais do que isso vai [re]criar uma rede de "funcionários" que se vão multiplicar num sistema falido no seu todo. é que eu ainda me lembro dos "delegados regionais". e não, não eram os dos cae. eram antes desses. serão multiplicados serviços. lógicas, procedimentos. e o ministério passará de tutelar a regulador. se assim fosse era bom. mas o que vai acontecer é o que acontece sempre. a leituras de muitos será sempre o papel de vários e as orientações triplicadas por isso tudo. um passo para a venda. que é sempre o que se segue quando os trespasses falham. e o que assusta é que tudo isto nunca teve uma lógica que não fosse possível combater. está e esteve sempre em frente aos nossos olhos. é só preciso querer ver...

07/07/2014

||| palavras [im]perfeitas...

torga

||| fechar a escola, já...


||| ... um sistema obsoleto é sempre muito caro. insuportável para quem o tem que manter. é caro porque perde tudo por todos os lados. tempo, recursos e resultados. sempre a perder. geralmente chama-se um gestor para gerir o impossível. e o que faz o gestor: corta onde pode. mascara o resto. e quando tudo está polido como um carro em segunda mão com quilómetros a mais, vende ou trepassa a coisa e sai com sucesso. se isto não fosse uma anedota até podíamos rir um pouco com o que se está a passar com o fecho de mais trezentas e onze escolas [que se sabem]. ou com a ideia de municipalização de muitas. o trepasse é sempre uma boa política para uma coisa que está em falência de valores, ideias e recursos. a escola é essa coisa, neste momento. por ter sido arrastada para aqui. e sim, propositadamente arrastada para aqui. há uma lógica "liberal" nisto tudo. a palavra está gasta mas a lógica tornou-se quase numa imperceptível caminhada silenciosa onde todos estão a ver para onde tudo vai mas todos acham que não há força possível que trave a máquina em andamento. mas há. há e o pior é que é evidente que há. a mesma que impele a que tudo nos pareça claro quando vemos o todo para além das partes. o sistema está obsoleto. e é caro. é caro por isso. não por ser a sua natureza. é determinação à posteriori. com os remendos. em parte, são os remendos que tornam a coisa insustentável. não a sua lógica. por isso, o que seria preciso era o simples acto de despir o sistema de tudo isso e voltar a refazer tudo. despir é ainda muito mal visto numa sociedade clássica e com pudor pelas coisas erradas. ninguém teria essa força. ou teríamos que ter todos. todos nós que somos professores e sabemos o que a escola precisa para ser "sustentável". nós sabemos. e todos os dias vemos como podia ser feito. mas somos só peças na máquina obsoleta e insustentável, não é?...