07/07/2014

||| fechar a escola, já...


||| ... um sistema obsoleto é sempre muito caro. insuportável para quem o tem que manter. é caro porque perde tudo por todos os lados. tempo, recursos e resultados. sempre a perder. geralmente chama-se um gestor para gerir o impossível. e o que faz o gestor: corta onde pode. mascara o resto. e quando tudo está polido como um carro em segunda mão com quilómetros a mais, vende ou trepassa a coisa e sai com sucesso. se isto não fosse uma anedota até podíamos rir um pouco com o que se está a passar com o fecho de mais trezentas e onze escolas [que se sabem]. ou com a ideia de municipalização de muitas. o trepasse é sempre uma boa política para uma coisa que está em falência de valores, ideias e recursos. a escola é essa coisa, neste momento. por ter sido arrastada para aqui. e sim, propositadamente arrastada para aqui. há uma lógica "liberal" nisto tudo. a palavra está gasta mas a lógica tornou-se quase numa imperceptível caminhada silenciosa onde todos estão a ver para onde tudo vai mas todos acham que não há força possível que trave a máquina em andamento. mas há. há e o pior é que é evidente que há. a mesma que impele a que tudo nos pareça claro quando vemos o todo para além das partes. o sistema está obsoleto. e é caro. é caro por isso. não por ser a sua natureza. é determinação à posteriori. com os remendos. em parte, são os remendos que tornam a coisa insustentável. não a sua lógica. por isso, o que seria preciso era o simples acto de despir o sistema de tudo isso e voltar a refazer tudo. despir é ainda muito mal visto numa sociedade clássica e com pudor pelas coisas erradas. ninguém teria essa força. ou teríamos que ter todos. todos nós que somos professores e sabemos o que a escola precisa para ser "sustentável". nós sabemos. e todos os dias vemos como podia ser feito. mas somos só peças na máquina obsoleta e insustentável, não é?...