21/07/2014

||| olhar para as coisas sem as coisas serem só coisas...


||| ... estava aqui a pensar. estando sempre no sistema, dentro do mesmo, de uma forma ou de outra, nunca consigo um distanciamento claro. racional. e eu, anarquista racional, preciso desse distanciamento para perceber o que se passa. e olhando para as pautas dos exames nacionais parei por um pouco. fui espreitar os resultados nacionais. história, sempre a par com a matemática, faliu. sucumbiu à força do desgaste em virtude de muitas outras que subiram. adoro sempre esta análise como se tudo fosse um barómetro. subiu, desceu. manteve. e na semana antes tinha dito numa conversa paralela com outros professores que isto ia acontecer. que as "notas", iam subir. e até arrisquei que no caso de história iam descer. como o meu destino como professor está cada vez mais comprometido por um sistema que diz que não precisa de mim, estou a pensar ir para cartomante. com esta previsão [óbvia] até me saí bem. podia dizer até: eu tinha razão. mas não. a razão é tão clara que só não a vemos porque achamos que o sistema ainda tem qualquer pingo de respeito por quem, nas escolas, ainda ensina e ainda aprende. mas tal já nem é verdade. a parte do respeito. não é mesmo verdade. é um jogo. estranho e incompreensível por se tratar do futuro e não de uma eleição ou legitimação. lembro-me de uma excelente professorar da física que, um dia, numa aula fascinante como só ela sabia dar, que o cientista é o mestre da ilusão. para obter os resultados que quer cria a ciência que imagina. e com isto gera novo conhecimento. e lembrei-me dela ao pensar que este momento, estes exames nacionais, davam um excelente estudo sociológico/psiquiátrico. ao olhar para os resultados e as médias só me aparecia uma palavra: legitimação. pronto. afinal era verdade. com mais alunos por turma, menos professores, uma escola em destruição massiva era possível melhorar resultados. era e a prova estava ali. naquelas pautas. mais matemática e mais português. menos de tudo o resto. e a receita resulta. está ali. para quem contestar. será possível dizer num qualquer "sondbite" que a coisa subiu. estão a ver! era possível! e até estamos melhor! nessa altura já ninguém se lembrará que os exames eram mais fáceis. que os alunos levaram um ano sem pensar só a trabalhar e treinar para "o" exame e que tudo o resto que faz de uma escola uma escola desaparece a olhos vistos. para o todo restará esse "sucesso". e isto dava mesmo um estudo. de como se podem manipular as massas, de como se pode iludir com truques de mágico barato e de má qualidade uma sociedade desgastada pelo correr dos tristes e pobres dias. a escola, transformada num "depósito" de alunos continuará a definhar com aventuras destas. e o que se segue ainda é pior. porque já se percebeu que, assim, tudo vale. e quanto à descida em história? para não falar da matemática que nada sei... é simples. a culpa é dos professores. como sempre, dirá o ministério. mas não é. é de um exame que desbarata a inteligência e a preparação que professores que sabem o que fazem fizeram com os seus alunos e por ser uma disciplina onde a lógica sem ilusão ainda é necessária. e isso não se dá como este sistema. este ministério. e esta política educativa. será por isso que a matemática também está como está?...