25/07/2014

||| um dia falaram de [r]evolução...


||| ... ainda me lembro da polémica que foi quando, numa celebração do vinte e cinco de abril, alguém se lembrou de tirar o r a revolução num jogo de palavras entre evolução e revolução. era qualquer coisa como isto: [r]evolução. e lá foram uns colocar um r a vermelho nos cartazes. e outros dizer que estava bem pensado. que abril era evolução. e pronto. passou. mas esta dicotomia é interessante. mesmo muito. é o mesmo que se passa hoje na escola. por muito que todos, de uma forma ou de outra, vamos colocando a cabeça na areia discutindo as árvores em vez da floresta ou o madeireiro em vez do plantador. e ontem fiquei a pensar numa coisa que ouvi. há na inovação dois caminhos óbvios. um de integração e evolução natural de um sistema criado. outro, de disrupção. a inovação tem destas coisas. é uma medeia [a mitologia, aqui] na forma e na lógica. fascinante por si mesma. mas desafiante. e perigosa. porque não se sabe o que se vai conseguir ao mudar. ao transformar. é sempre mais segura a lógica da evolução sobre um sistema criado. e isso é o que tem sido feito nas últimas décadas. remendos. melhorias. ou desvalorizações, eliminações e coisas que tais. sempre sobre uma base existente. e depois vão-se sustentando as melhorias ou remendos em teorias. para uns a inspiração. para outros o norte. para outro o rumo. e lá vem o paulo freire. e/ou outros opostos. e lá vem a lógica da exigência vs permissividade. e lá vem a escola inclusiva vs profisionalização ou disparates que tais. a esta evolução na escola falta o r. sinceramente é o que penso. sobre um sistema obsoleto que já não dá resposta a nada nem a ninguém, que ainda por cima serve para ultrajar aqueles que nele estão integrados, não há evolução possível. porque o futuro não precisa de uma escola como hoje tem. precisa de uma escola que seja mais, melhor e maior [não em dimensão mas em objectivos]. e se é fácil proclamar a implosão de uma coisa qualquer sem o fazer o difícil é conseguir fazer, de facto, essa revolução que a escola precisa. de chamar, quase em modo de concílio, todos os envolvidos. redesenhar e refazer o que se deseja que seja a escola amanhã. para os próximos cinquenta anos [numa visão utópica] e fazer nascer isso num modo de integração de todos com vontade, liberdade e conhecimento. sem teorias à mistura. sem lógicas convalescentes da sociedade actual. procurando criar uma comunidade para o futuro e para a mudança. para o modelo social que se deseja. para formar alunos, estudantes e cidadãos. e este dilema já nem o é. porque é óbvio que o modelo do século dezanove está a morrer a cada dia que passa. e o que era preciso, do lado de quem orienta o sistema, era coragem. da verdadeira. não daquela instaurada pelo medo como a que hoje temos. coragem de enfrentar medeia e ganhar o futuro. refazer tudo, mantendo o que já aprendemos com um século de escola para todos e partir daí. com toda a liberdade de criação. assumindo erros que iam ser cometidos mas procurando descobrir e fazer nascer a nova escola. isto sim, era a [r]evolução necessária.