18/09/2014

||| aquela aula, aquele grito...


||| ... era o desafio. o peito feito. o levantar brusco. era tudo isso, ali, naqueles segundos. nas primeiras aulas. a marcar a posição. eu mando aqui. e deu um grito. ele. miúdo de tamanho pequeno. como se fosse possível tal coisa. arrisca um palavrão. olha-me para ver o que faço. os outros olham-me para ver o que faço. tinha acabado de pousar a mala na mesa. ia para a abrir. segurei a mala com uma mão. dentro, uma aula preparada. muito gira. bem pensada. olhei-o. pensei em mil coisas para fazer. não fiz nada do que pensei. abri a mala. tirei o telemóvel. e os auscultadores. disse baixo e de forma cadenciada: a aula terminou. segurei a mala, fui para a porta. sentei-me no chão, na ladeira da porta que dava para um pátio. durante cinquenta minutos fiquei ali. a ouvir música e eles sem saber o que fazer. ouvi: deixa-o estar. ouvi os movimentos inquietos. ouvi silêncio. terminou o tempo da aula. levantei-me e fui-me embora. um miúdo no final veio perguntar-me o que tinha sido aquilo. respondi: uma lição. não foi uma aula, foi uma lição. um dia depois, nova aula. a que estava guardada na mala. dada em que eles gostaram de participar. como se não tivesse havido nada. como se a importância tivesse estado na lição. e não na aula. porque, por vezes, o silêncio é muito mais desconfortável do que a palavra esperada. talvez isso. ou sorte. mas foi o que apareceu. o que apeteceu. o que pareceu que ia resultar. e resultou. porque sou pelo não-confronto. porque acredito que, no fundo, o silêncio tem um poder maior do que a palavra que agride sempre. e tudo correr melhor. somente isso. ou isso tudo.

Sem comentários:

Enviar um comentário