||| ... aqui, na sala de aula, não há decretos. nem despachos. aqui há duas janelas e uma porta. um quadro. um desenho na parede e uma caneta azul. aqui na sala de aula não há conteúdos para ensinar. há conversas que se vão tendo. coisas simples que se dizem. há histórias contadas em jeito de desabafo. e um pedido de atenção. há uma gargalhada verdadeira e um elevar de voz. há uma caneta que cai ao chão. há um erro dito. uma resposta errada. uma correcção. há um som constante das vozes. e um cansaço brincalhão dos corpos. há olhos que brilham. e perguntas por fazer. há um movimento constante. sempre, sem cessar. há gente que não está, mas chega. músicas que não se ouvem mas das quais se fala. e nomes. e nomes das coisas. e coisas. não há impactos. ou médias. há rostos. miúdos. pequenos. de gente por fazer. e histórias escondidas por contar. aqui, na sala de aula, ninguém é o que parece. e no entanto, somos todos muito mais do que em qualquer outro lugar. e há um professor que sou eu. e isso basta. mesmo sendo pouco. e há uma janela desenhada a giz. uma que dá para todo o lado. não daquelas verdadeiras. das outras. das ainda mais verdadeiras. das da imaginação e o saber. aqui, na sala de aula, há tudo o que falta em todos os outros lugares. e ainda bem que assim é. porque aqui, tudo isto, é só mesmo, uma sala. para uma aula. repetida vezes sem conta. felizmente.
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