26/09/2014

||| das coisas boas, ainda...


||| ... catarina, importas-te de chegar aqui? diga professor. preciso que orientes a teresa para esta primeira matéria. ela precisa de um apoio de alguém. ok, professor. como sabes eu estou sempre na biblioteca, na mesa do canto, nos intervalos. ou quando não tenho aula para dar. podem sempre lá ir ter comigo. ya, professor, está sempre lá. pode ser. quando for preciso eu vou lá. catarina e precisam de mais alguma coisa? esta matéria é um pouco mais complexa. não professor, obrigado. e sorri. sabia que não. que não era preciso. mas que eu tinha pedido algo simples. ou complexo. por uma razão clara. não é fácil colocar nas mãos deles o apoio que não conseguimos dar. que eu precisava tanto ter tempo para dar. mas cada vez mais aposto nesta ideia da relação entre pares. habituei a que assim fosse. entre eles. e isso vai-se construindo ao longo dos dias. evitando a valorização pessoal em si mesma. e criando as redes de interdependência que o trabalho em grupo permite. num tempo marcado pelo individualismo, remar no sentido contrário é mesmo muito complexo. ensinar isso aos miúdos, ainda mais. e por isso mais do que ensinar é colocar-lhes nas mãos essa força. que eles a sintam. e entendam. a percebam. porque, infelizmente, não me deixam chegar a todos. e eles são, comigo, uma força. tem que ser assim. é um remendo. mas é bom ter miúdos como a catarina que ensinam comigo, ao meu lado, ajudando. ainda há coisas boas. destas. um sim, simples, deste. faz a diferença.

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