09/09/2014

||| dos limites, se houver...


||| ... viagem feita. seis horas para duas de conversa. dá para pensar pelo caminho. vim com uma reflexão presa no pensamento. na conversa coloquei a questão os "pré-conceitos" das avaliações e análises que se fazem sobre as condições dos alunos, geralmente, nestas primeiras reuniões de professores. que comigo, eles, os miúdos que quero que se transformem em estudantes, partem sempre do zero. que gosto de não saber nada nesta altura. de gerir o primeiro encontro com eles de forma "limpa". sem aquela coisa que muitas vezes sai da conversa: esta turma é preciso ter mão firme. ou aquele miúdo tem que se ajudar. e a questão colocada levantou-me dúvidas. há uma peça de teatro absolutamente fantástica que recordo sempre. chama-se "a dúvida". é de john patrick shanley. foi, em dois mil e oito adaptada ao cinema com dois brilhantes actores. mas o livro é melhor do que a peça ou o filme. eu tenho dúvidas. as pessoas não estão habituadas a que, alguém que é convidado para falar sobre um assunto tenha dúvidas "em directo". mas tive. e disse o que digo sempre nessa altura: tenho que pensar mais nisso. é simples. não é a resposta que desejam ouvir mas é a que realmente é útil. e fiquei com a dúvida. a ponta solta para o pensamento gerar uma ideia. ou uma co-relação de ideias. tenho uma premissa inicial em que pensei. acho que um director de turma ou alguém que dá informações aos professores sobre o que se passa na esfera [privada/íntima] da família que, através de um educador representa esse espaço numa conversa com a "escola" só deve partilhar em contexto de reunião o que seja verdadeiramente útil e oportuno para a gestão da aprendizagem ou do comportamento. é que a nossa bondade, virtude sempre necessária, muitas vezes coloca na mesa da escola o que deve ser feito por outros, mesmo que na escola.  e a conversa foi seguindo com aquelas dúvidas concretas: e se um miúdo mudar de casa para mais longe e começar a chegar atrasado. e se... os limites. foi nisso que vim a pensar. se a minha premissa se mantém como lógica, isto é, partilhar o que é relevante para a gestão da aprendizagem e do comportamento, onde se encontra o limite já não é tão simples. e depois, em conversa de fim de noite, já em descanso, introduzi um novo conceito: as considerações. o problema não é dizer que os educadores de um miúdo estão desempregados. são as considerações, depois da informação. que transformam a coisa: coitado do miúdo. e a realidade passa a ser outra. a informação deixa de ser informação para ser cercada de julgamentos de valor ou criação de estereótipos. os limites, eram a pergunta. onde estão. e não tenho resposta. ainda. tenho dúvidas. muitas. preciso ouvir. e pensar. e ler. e pensar. e rever. e pensar. mas fiquei com isso guardado no bolso para, quando tiver pensado, trazer de volta.