"a matemática é a única ciência exacta em que nunca se sabe do que se está a falar nem se aquilo que se diz é verdadeiro."
b. russell
|||... vou admitir que alguém, ao fazer o formulário, numa fórmula qualquer difícil de conseguir passar para uma plataforma cada vez mais "obsoleta", se tenha enganado. vou também admitir que a ordem saída de um gabinete tenha sida mal interpretada e com isso a fórmula tenha tido um lapso. ou, como aqui explicado, seja um lapso matemático. vou admitir isso tudo. e que basta um clique de regresso para colocar tudo na ordem certa, mesmo com o caos que isso irá provocar, uma vez mais com gente já colocada nas escolas e apresentadas às turmas. mas vou admitir também o contrário. que não é um erro. talvez em contra-corrente. talvez porque sou um adepto profundo das teorias do absurdo [e da conspiração por consequência]. vou admitir que isto é uma estratégia. uma visão. uma forma de governar a escola num outro modelo que vem a nascer nos últimos anos. vou admitir que nada disto é um erro. que se quer dar às escolas o poder de escolher quem querem para o lugar que querem. que se quer destituir os professores de qualquer lógica de coerência no seu percurso profissional mesmo sabendo que este ano muito mais gente que era necessária ao sistema foi, por este, afastado. vou admitir que não é um erro. que é uma forma de juntar tudo numa coisa que já se passava separadamente e que ninguém conseguia ver por estarem todos preocupados com as suas árvores e a floresta era algo dos outros. é que isto já se passava. bem ou mal, com esta ou outra fórmula, já existia. os critérios de alfaiate. a lógica da escolha em detrimento da lógica de percurso de cada um, como professor ao longo dos tempos. do cada um por si, contra todos. estava e está implícita há anos no sistema que está a nascer. que nasceu com esta lógica da bolsa onde cabem todos sem caber só mais do que um para cada lugar. vou, por isso, admitir que não é um erro. que nunca foi. que ninguém se enganou ou leu mal a fórmula. vou admitir que é uma visão do professor como recurso dispensável numa lógica de mercado do salve-se quem puder e morra na praia quem tiver que morrer. que abandone o sistema e não chateie mais. hobbes já dizia que o homem era lobo do homem e assim fica provada a teoria que um modelo tão liberal tanto gosta de provar. vou admitir que não é um erro. mesmo sabendo que deve ser. deve mesmo ser. alguém introduziu erradamente a fórmula que baralhou tudo. deve ter sido isso. só pode ter sido isso. porque se não foi erro e é uma estratégia e visão para a escola e para os professores, então, está tudo dito...
nota oficial de explicação, aqui.
