16/09/2014

||| a escola não é uma banda...


"é na limitação que se revela o mestre."
goethe

||| ... quando vejo partilhada a afirmação de josé gil, pensador por quem tenho imensa estima, penso muito. eu não gosto de ter no ministério que me "tutela" o pior ministro de sempre. queria o contrário. ter o melhor ministro de sempre. isso sim, partilharia. isso sim, seria motivo de conversa. e quando, ontem, ouvi as palavras de quem se julga maestro numa orquestra que não é sua, assustei-me.não mais do que já ando. fiquei foi no estado de susto. de suspensão. revi toda a filosofia e linha de rumo deste momento. tudo numa frase só. uma visão do que é a escola. do que querem que seja a escola, agora. a frase era limpa. sem qualquer preconceito ou desvio. uma harmoniosa descrição lógica do que se pensa. os alunos estão nas aulas a aprender. os professores estão nas aulas a ensinar. os alunos estão entregues e os pais vão lá visitar. e está feito. aqui, nesta frase, reside toda a política. toda a pedagogia. toda a linha de rumo. toda a ideia de escola. toda a normalidade. e não, a escola não é uma orquestra. é só mesmo isto. a visão mais limpa e mais pura que podia ser dada. para que todos entendam. não pode ser mais do que isto. é só isto, mesmo. e pode parecer simples. mas não é. é a ausência de tudo no mais puro e simples dos raciocínios lógicos. sem visão nenhuma. sem beleza nenhuma. sem nada. sem pessoas. sem espaços. sem projectos. sem apoios. sem inovação. sem arte, sem nada. uns ensinam, outros aprenderem e outros vão lá visitar. e mais claro não podia ser. é o resumo perfeito. para quem acha que tudo são erros e lapsos desta política ou que não tem linha de rumo, eis que aqui está. mesmo ao som da música da orquestra que diz o mesmo de forma mais eloquente tudo se resume a isto. a uma visão nula da escola. porque uma escola não é uma orquestra. nem uma banda. nem uma equipa. nem nada disso. nem é só o lugar onde se colocam uns para aprender e outros para ensinar e uns que lá vão visitar. não é só isso. é tudo isso e muito mais. e em cada palavra dita reside um profundo desrespeito pelo trabalho diário de todos. não só dos professores. mas de todos. mas ao menos fica claro. limpo. perfeitamente descrito. é isto que querem que a escola seja. só isto. nada mais. tudo o resto é dispensável. desadequado. inquietante. porque tudo é normal quando é assim. só isto. nada mais do que isto. nada para além disto. e é tão simples que ofende...

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