30/09/2014

||| explique lá isso da esperança...


||| ... ó professor, explique lá isso da esperança. então eles iam assim. sem saber? sem mapa? a pergunta era legítima. a minha resposta tardou. andei em busca da esperança. ou então a procurar a resposta. que era simples. sem mapa não. a grande maioria dos territórios era conhecido. assim como já disse que noventa e muitos por cento da população trabalhava o campo. não eram marinheiros. fomos depois país de navegadores, mas por interesse. poucos por vocação ou conhecimento. lá está o professor, mas o que é isso da vocação? e comecei a perceber. fomos nós, com a falta de esperança. fomos nós que retirámos da equação o talento e a vocação e colocámos as metas e os finais examinados que retirámos a força e o poder explicativo destas palavras. e fiquei suspenso neste pensamento. uma geração sem esperança é uma geração sem futuro. habituada permanentemente ao presente. habitante do presente, sem mudança possível ou desejável. e a aula parou. era preciso conversar. falar da esperança e da vocação. não com o espírito moderno dos gurus da coisa. de uma de uma forma histórica, limpa, inquieta. revitalizar a curiosidade. e o desejo de mudança. de melhoria. de crescimento. e no final, quando já tinha tocado a campainha, ouvi: ó professor, hoje gostei muito da sua aula. percebi finalmente porque conseguimos chegar à índia. foi a esperança que venceu o medo. e podia ser só uma frase bonita. não fossem as palavras de um marinheiro do século quinze ao ver terra depois de meses no mar. recriada ali. refeita ali. seria esse o começo da aula seguinte. porque agora fazia sentido. triste tempo este em que a esperança tem que ser ensinada...

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