24/09/2014

||| já não sei o que é a escola...


||| ... já não há escolas. há agrupamentos. é tão estranho isto. este conceito que não é nada. a palavra escola está a ter os dias contados. pode parecer estranho, mas é assim. e vamos, todos, dar lugar ao arrependimento de isto ser assim. por muito estranho que seja. e ontem, em discussão, contaram-me uma história. uma menina entrou para a escola para o seu primeiro ano de aula. escola, sim, ainda nesse tempo. a professora pediu: desenha uma flor. a menina desenhou uma flor grande. a professora observou o trabalho feito e afirmou: isto não é uma flor. uma flor é assim: tem pétalas, folhas, é colorida, etc... e desenhou na folha da menina uma flor. passaram uns tempos e no início do ano seguinte a menina tinha mudado de escola. era, outra vez, o primeiro dia de aulas. uma nova professora pediu a todos, na turma, para desenharem uma flor. todos desenharam, menos a menina. a professora, intrigada, perguntou: então, porque não desenhas uma flor como pedi? a resposta da menina foi simples: porque a professora não me disse como queria a flor. e dei por mim a debater com colegas a dualidade da visão: simples/complexo. por causa de uma maçã. de dar uma aula partindo de uma maçã.  e de que fazemos sempre o exercício contrário. simplificamos. é quase natural. tornar simples as coisas. que não o são. para entendimento. porque, julgamos, o complexo não é tão facilmente compreendido. vamos do complexo para a simplificação. eu tenho um problema. vou ao contrário. vou do simples para o complexo. é por isso que os meus alunos sempre me disseram que eu era complicado. porque não quero que eles vejam o óbvio explicado até ao limite da exaustão. tudo lhes é dado. simples. e não pode ser. não deve ser. explicado, sim, tornado objecto didáctico. mas simples, não. porque nada é simples. e muito menos o conhecimento. dei por mim, a pensar nisto, ontem. em conversa entre professores.

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