11/09/2014

||| não podemos esperar o que não ensinamos...


||| ... está quase. quase o momento em que vamos com a chave e o livro de ponto na mão para os encontrar. ao seu encontro. gosto destas palavras antigas. ir ao encontro deles. como eles. gosto da imagem que isto cria. esta ideia da palavra certa. não é ir dar uma aula. a primeira aula não se dá. vai-se ao encontro deles. como eles, ao nosso. pode até ser um reencontro. mas é um ir. e um devir. um dever. que nasce ali para um ano lectivo. novo. ou repetido. mas é um encontro. muitas vezes é uma primeira impressão. de impresso. de escrito. o que fica escrito naqueles primeiros minutos em que, ainda, a voz nos falha. em que olhamos primeiro para o fundo da sala e depois para cada um deles, um a um e todos juntos, para os desvendar. está quase. e relembro uma máxima que tenho como professor desde o primeiro dia em que dei aulas: não esperes nada que não tenhas ensinado. mas surpreende-te sempre. é uma premissa estranha. mas gosto muito dela. relembra-me sempre que tenho o dever de ensinar tudo. o que sei, o que quero que eles saibam, o que não quero que eles saibam. e como gostava que eles fossem como estudantes. tudo. do mais simples cumprimento de bom dia ao mais complexo conceito abstracto da história da humanidade. tenho que lhes ensinar tudo. das regras de civilidade que espero que tenham comigo e com os outros ao processo de resposta lógica a um dilema. do entrar na sala ao sair da sala. mas que esteja sempre de alma aberta a ser surpreendido. apanhado por uma coisa que não sabia e que aprendo. de um miúdo que fala de algo que nunca esperei que ele soubesse. aberto a isso como uma conquista e uma surpresa reservada aos dias mágicos. está quase. o abrir da porta. os olhares. o sorriso e o bom dia que é preciso ensinar também. e ainda bem.