04/09/2014

||| sim, mas amanhã...


||| ... todos os anos, a mesma coisa. os materiais. as primeiras aulas. os planos. anuais e coisas que tais. repetidos exaustivamente em capas empoeiradas para "inspecção" ver. amarelos de tão gastos e tão inúteis. e depois em reunião [agora quase concílio de tanta gente junta] as palavras de sempre. cooperar, partilhar e coisas que tais. e no fim das reuniões aquela mão sobre as costas do colega que diz: podias emprestar-me aquelas fichas do ano passado sobre esta primeira matéria? sim, as mesmas que até tinham ficado no dossier mas que, como ninguém lá vai ver, ninguém sabe que estão por lá. é uma cultura que se intensificará neste ano. pela ausência do "tempo" para parar e pensar em conjunto. pelo individualismo a que votámos cada um de nós na escola. ao cumprir necessário do inútil para vã-glória do sistema.  ainda me lembro das boas experiências que tive. reuniões que eram momentos de construção de materiais. discussões sobre as melhores formas de abordar um tema. trabalho conjunto e em conjunto. útil. mas tudo isso agora parece uma vaga memória. andamos todos numa incessante busca para encontrar algo feito por outros ou para nós. com isto perdemos uma parte da força de sermos professores. passámos de criadores a consumidores. a precisar por falta de tempo, força ou vontade. por ser mais fácil. e com isto, perdemos a forma de fazer e ser diferentes como profissionais. o sistema criou a forma e a desculpa perfeita. esmagou a lógica pedagógica. transformou-a num agitar constante da repetição. de tudo. dos conteúdos aos recursos para os ministrar. dos desafios aos dias em aula que deviam ser medidos em minutos. e com isto, perdemos, todos. mais uma vez. pior, perdemos aquilo que nos faz ser quem somos. porque ser professor não é ser técnico. é ter nas mãos o saber imenso e capacidade imaginativa de criar formas de ensinar e de aprender. e, roubado isso, resta muito pouco. muito pouco, mesmo.