08/09/2014

||| a soma de todos os erros...


||| ... sim. ainda anda a ressaca dos erros pelo ar. e da desconsideração. e ainda nem o ano lectivo começou em pleno. mas não é disso que me recordo hoje. recordo-me de uma conversa. conheço a susana há uns bons anos. já não os conto que parece mal. ela e o fernando são duas pessoas que tenho em elevada consideração como pessoas e como professores. são, aquilo que um professor deve ser e um pouco mais. são pessoas bonitas. o que é bom. nem sempre nos cruzamos com pessoas assim. mas regresso à conversa. a conversa foi há um tempo. já não me recordo. um ano, dois anos. por aí. sou formador de professores e como tal cruzei-me com a susana nesse contexto. eu do lado de cá e ela do lado de lá. mas o reencontro, recordo, foi no contexto de uma visita exploratória ao museu da electricidade em lisboa/belém. e naquele tempo que antecede o começo e no correr da conversa e da normal pergunta: então e escola? saiu aquilo. muito complicado. este ano tenho dez turmas. não sei quantos níveis. e podia parecer estranho. mas não era. era um prenúncio. do que este ano ainda se agravou mais. embrulhado no discurso: "estamos todos no mesmo barco" e "vão dando graças aos deuses por terem trabalho", fazem-se coisas impossíveis. entregar a um professor dezenas de turmas com dezenas de níveis é de uma insanidade plena. e vestido de um discurso de comiseração que destrói qualquer vontade ou força de resistência à "esmola" dada. e o mais curioso nisto tudo? que se não fosse tão triste de ver e viver seria somente curioso? é que tudo isto revela duas coisas. a primeira é que o desgaste, o cansaço, a força ou perda da mesma ocorrerá muito cedo. e um professor vive da força que tem. da vontade. da energia. precisa dela em cada dia. em cada hora de cada dia. em cada aula. sem ela é um funcionário, somente, cansado de funcionar. mas revela ainda algo maior. que ser professor é um exercício de uma vontade brutal. maior do que tudo o que "atiram" para cima de cada professor neste tempos que correm. uma vontade, não só feita pelo "ter emprego" mas pela verdade do simples acto de ensinar. não é uma vocação como lhe chamam. mas é uma dedicação. um acto dedicado. e isso, por muito que queiram destruir é quase impossível. porque enquanto houver vontade haverá luta. resistência. ou simplesmente esperança. e hoje que me recordei desta conversa, recordei-me ainda mais deste pensamento que me habita há muito sempre que os tempos se complicam. é tão difícil vencer a vontade de ser professor. e isso é o mais belo que temos como grupo profissional. mesmo que ninguém o veja. vejo eu. hoje, ao recordar esta conversa.