09/10/2014

||| então e agora o que fazer?


||| ... mas o mundo não tem fim. somos um globo. a terra [o planeta] é redonda. oval, se quiseres. isto depois de já ter respondido à pergunta clássica de como é que a foz do nilo é para cima se a gravidade existe quando mostrei um mapa-mundo. mas ó professor, o meu pai ensinou-me que a terra tem fim. e que depois caímos. quando chegamos lá. que é para onde são atirados os criminosos. e parei. isto foi há muitos anos. numa terra do demo, eu sei. mas hoje, perante uma afirmação similar voltou tudo ao lugar desta memória. nunca me tinha acontecido nada assim. era um miúdo do sexto ano. de óculos. tiago, lembrei-me do nome. o tiago [que será feito dele?]. e inicialmente ainda pensei que seria um daqueles testes/gozo. mas não. era mesmo o que o pai lhe tinha ensinado. que a terra tinha um fim, que era [pela explicação dele] a linha do horizonte e que depois era o abismo. para onde eram atiradas as almas condenadas. numa mistura de religião com pensamento medieval. e foi uma "carga dos trabalhos" para lhe provar que a terra era redonda e que não havia fim do mundo. acho, hoje, que não o convenci plenamente. mesmo tendo, nessa altura, comprado um telescópio e tudo o que podia para lhe provar isso. até um dia ter encontrado o pai e tentado provar o mesmo, sem grande efeito. e às vezes, tantas vezes, como hoje, em viagem penso nesta história. que a ignorância assim é uma realidade em si mesma. e que por muito que a ciência e a escola tenham um papel libertador e esclarecedor, há ainda lugares onde chegar é uma urgência. pode parecer estranho mas até ao recordar esta história eu próprio me questiono se a mesma é verdadeira ou só um produto da minha imaginação. mas não foi. foi mesmo assim. mas hoje, perante a falta de esclarecimento de tamanho igual desejei, por momentos, que a terra tivesse mesmo um fim...

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