06/10/2014

||| a escola, o asilo dos loucos e a falta de realidade...


||| ... é uma frase que uso muito. não é minha. é roubada. a um ex-ministro da educação. mas hoje faz mais sentido. creio até que o contexto era outro. mas gosto dela. da frase. que é título de um livro. que resume muita coisa. mas, apavorado com o que vejo, sinto que é preciso repetir cada uma das palavras como se fosse um alerta. a escola está transformada numa coisa qualquer. é estranho. deixou de se cuidar da escola. passou a ser uma "unidade orgânica". uma coisa. um espaço com gente lá dentro como qualquer outro serviço de um estado em forma de queda do império. são "atirados" para lá todos. os professores. os alunos. todos os outros. atirados. sim, como se fosse mesmo o gesto de agarrar em alguém e esse mesmo alguém fosse atirado pelo ar de um lado para o outro. quem passou por estes últimos lapsos incongruentes sentiu isso. quer alunos, quer professores. quer quem tinha que assinar uma folha. e depois é o "arranjem-se". cursos criados para "juntar" aqueles que não querem a escola, nem esta, nem esta forma de escola, numa sala. com número insuportáveis. e hiper, mega, super ajuntamentos de gente e coisas. tudo num absurdo surreal mando sobre as gentes. como se fosse só isso. vão para ali e arranjem-se. nós depois damos uma ordens daqui de cima. porque vocês arranjam-se de qualquer forma. porque sabem que os professores são os últimos a perder a esperança mesmo quando todos já a perderam. e dizem-se palavras que não deviam ser usadas numa escola. e gerem-se pessoas como coisas ou números porque é mais fácil relativizar tudo do que olhar de frente para a realidade. tudo parece revestido de uma loucura imprópria. tenta-se salvar o que se pode. procura-se uma certa paz fora disto tudo para enfrentar tudo isto. não se desiste mas também não se conquista. ultrapassam-se todos os limites e ninguém diz que sai com vergonha do que fez. e os miúdos, percebem, pressentem. a [i]lógica de tudo reflecte-se em tudo. desde o saber ao fazer. ao comportamento. mas os professores ainda guardam esse lugar de bastião. a sala de aula. guardam-no como último reduto. último lugar onde estar e ensinar. mesmo contra tudo o resto. conseguindo fazê-lo. do sentar ao aprender. e será só, a partir daí, que será possível reconstruir a escola. tendo como ponto de partida a sala de aula. de dentro para fora. porque é urgente reconstruir a escola. olhando a realidade. enfrentando a mudança. sem isso, tudo será só uma memória do que foi...

1 comentário:

  1. Grandioso texto....admiro a sua postura no que concerne ao pensamento.

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