07/10/2014

||| façam o favor de dizer um disparate...


||| ... daquelas turmas de que se gosta. há sempre assim, uma. e estava a preparar uma aula porque, como muitas vezes me acontece, ia "à frente" na matéria. sempre achei isto um absurdo. em reuniões ter que dizer "onde vais na matéria". vou para casa é o que me apetece dizer. mas pronto. é o espírito de departamento ou de grupo que está em causa. a coerência e conformidade. tudo palavrinhas que a modernidade adora. mas tirando isso, volto à turma. por isso dediquei uma aula à traquinice. a primeira pergunta foi: ó professor, o que é isso? o quê? a traquinice. logo ali, sorri. já nem isso sabem, pensei. é basicamente fazer um disparate, pequenino. sorriram eles. assim como o professor. pequenino. [há sempre uma alusão ao meu tamanho o que revela ternura e gozo, duas coisas que aprecio particularmente]. sim, basicamente isso. por isso, hoje podem ser traquinas com tudo o que aprenderam até aqui. como assim professor? vamos imaginar que podiam rescrever, "disparatadamente", a história. ah... isso é fixe. pois. então força. do que já fomos falando nas aulas, reescrevam tudo a vosso gosto. brincando com isso. ó professor, posso fazer um desenho de um australopiteco com um telemóvel de pedra? e estavam lá. e aprenderam uma palavra que nunca mais largaram. agora estão sempre a aguardar e a pedir por uma aula de traquinice. é tão bom ser tão velho que ainda sabemos palavras que são boas. e as podemos ensinar. nem que seja assim. brincando com tudo o que devia ser do mais sério que há. não se brinca com o conhecimento. pois não, mas pode sempre ser-se traquinas. nem que seja por cinquenta minutos... "ó professor, é pior do que nós". "nem vocês imaginam! quando eu vos ensinar a desobediência, despedem-me..."

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