09/10/2014

||| os cinco trabalhos [im]possíveis de um futuro ministro...


||| ... enquanto se arrasta o fim deste estado das coisas, penso seriamente no que será a tarefa árdua de um futuro ministro da educação seja ele de que governo for, de que cor política for, de que planeta for. terá que ser alguém de um imenso e intocável prestígio. reconhecido. e adivinho-lhe cinco trabalhos de hércules ou uma travessia de ulisses. 

||| um: reconstruir a ruína em que está a confiança e motivação dos professores para trabalharem no/com [e para] o "sistema" educativo. só lá vai com um profundo e imenso diálogo, com um acolhimento verdadeiro de ideias e com uma palavra de honra acima de qualquer dúvida. com paz e com valorização. passa também por um novo e negociado [com claridade] processo de recrutamento nacional.

||| dois: reconstruir as escolas como espaços educativos. é urgente recolocar a palavra escola no seu lugar. terminar com um modelo de organização e passar a trabalhar numa lógica de comunidade, assim como, refazer toda a terminologia e modelo para recolocar tudo no lugar onde a educação é o centro e o suporte é feito pela escola e por aqueles que nela vivem os dias em colaboração e organização própria. reconstruir a escola. 

||| três: reconstruir a confiança nos actores do sistema educativo. urgentíssimo recolocar o papel central de alunos, professores, educadores e todos os elementos que habitam diariamente cada comunidade escolar como elementos estruturantes da mesma. confiar que cada comunidade se sabe auto-regular sem a necessidade permanente e constante de normas, regras, orientações e tudo o mais que um poder central e desligado da realidade emana.

||| quatro: desfazer o império do modelo organizativo e burocrático actual. acabar com um modelo de inutilidade em papel para dotar os professores e as escolas de projectos concretos e feitos à medida para cada comunidade que respondam às suas necessidades. reduzir ao mínimo reuniões e coisas que tais, assim como, documentação obsoleta e pedagogicamente inútil e dar esse tempo aos docentes para auto-formação e formação em comunidade, projectos educativos inovadores e integrados, assim como, para preparação de aulas e investigação para aprendizagens aplicáveis em contexto educativo.

||| cinco: dar liberdade de ensinar e de gerir o tempo de aprendizagem a professores e alunos. dar espaço de liberdade com áreas disciplinares que envolvam professores e alunos numa lógica de aprendizagem integrada, assim como, que permita a gestão de currículo com áreas de interesse comuns. reactivar clubes, projectos educativos artísticos, científicos e outros. valorizar as propostas de cada comunidade integrando-as curricularmente para valorização de todos.

||| ... podia dar mais mil coisas para fazer. mas se fizer estas cinco serei um professor um pouco mais feliz. por arrasto as outras iam sendo alinhadas. mas sem dúvida que espero imenso de quem terá um inferno pela frente. um terreno queimado, minado e com graves necessidades de correcção. estas são só as mais [im]perfeitas sugestões de um professor em reflexão...

1 comentário:

  1. Concordo em absoluto. Diria mesmo que será o mínimo que se pode esperar para inverter a linha de descrédito em que a educação caiu...

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