13/10/2014

||| ter como adquirido o provável...


||| ... sentei-me e mais uma vez pensei. ter por adquirido que os meus alunos estão [e querem estar] na aula é o meu maior erro. retorno muitas vezes a este lugar da lógica do provável. não estão ali, nem muitas vezes o estar é, de facto, presença. é uma obrigação cumprida. repetida. não sou partidário da visão da motivação constante. nem da obrigação "porque tem que ser assim". estou a meio caminho. porque estou perante pessoas. com vontades, com vidas. e com isso, penso tantas vezes que urge um tempo comum. uma vontade comum. um saber que estar é também aprender. e que a atenção se ganha e se perde num tempo contado em minutos, muitas e muitas vezes. que me cabe, como professor fazer meio caminho. de os cativar. de lhes despertar a curiosidade. e o resto do caminho é deles para ser feito. e estou sentado no corredor de acesso às salas de aula enquanto escrevo isto. e penso. penso no poder que eles conseguem ter com esta procura pela presença. e penso que quem me tutela só perceberia isso se também eu tiver que mostrar esse poder que tenho. o da presença. se a minha indignação for transformada num gesto, será sempre esse. a minha ausência é sinal de discordância. e se, em cada escola e em cada professor esse gesto fosse repetido, saberia quem desgoverna tudo isto que o silêncio é sempre a maior das armas que um professor tem. tal como os meus alunos o sabem porque já lhes ensinei, desobedecer é um direito, mas a presença ou não é a definição de força na luta quando nos sentimos injusticados. se fosse assim, seria mais fácil. mas não é. é civilizado demais, diziam-me em conversa de café. não acho. o que é, é perigoso demais, isso sim. porque uma massa de gent consciente do valor e poder da sua presença é, de facto, imensamente esclarecedor...

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