29/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

maria do rosário pedreira

||| não há forma errada de dizer isto...


||| ... já contei esta história várias vezes em vários contextos. a pergunta era simples: o que, então, podemos fazer? a resposta foi só uma. a que realmente acredito: remendar. o que andamos a fazer, há bem uma década (ou mais) num sistema obsoleto como é o de ensino que neste momento temos, é colocar remendos. como nos pneus de um carro. usados. remendos e mais remendos. um dia reparamos que o pneu já andou tudo o que tinha para andar. já deu tudo o que tinha para dar. que não é preciso inventar a roda. mas mudar o pneu, sim. a função é a mesma. o modelo, a forma, o que hoje já sabemos e aprendemos com modelos anteriores e o que evoluímos é que fará com que a eficácia e a qualidade sejam melhores. tudo baseado na adequação. aos tempos e às necessidades. por isso, agora, cada coisa feita será um remendo. nada mais. é simples...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| dessa treta nacional que se chama: ranking...


||| ... já uma vez deixei a minha posição aqui sobre os rankings de escolas. não sou contra instrumentos de monitorização da qualidade ou do "caminho que estamos a seguir/ter". o que sou contra e acho o maior dos absurdos são mesmo estes rankings. como se fossem listas efectivas de qualidade. como se alguma das coisas que ali é publicada fosse tradução da realidade. e depois acho sempre curiosa a tomada de posições. uns contra a existência mas vão logo escrever que a sua escola subiu x lugares. outros a favor porque assim podem "vender" melhor a ideia de um fabuloso e paradisíaco lugar onde aprender é a única coisa que acontece. num sistema doente, obsoleto, frágil tudo isto é de um absurdo completo. porque é manipulável por uns e por outros. porque não traduz o que é mas o que se quer ver. porque não é um instrumento de melhoria mas de comparação. porque potencia a injustiça e não traduz o trabalho e/ou a caracterização de base da situação. é um absurdo. em português antigo: uma treta. uma léria. eu sei, já ninguém diz isto. digo eu. porque é o que é. nada mais. são números e a única coisa que podemos ver neles é aquilo que já alguém escreveu: mexer constantemente e em tudo na escola pública dá numa alteração e subversão desonesta dos valores. nem as escolas privadas são tão boas, nem as públicas são comparáveis entre si pelos olhares de quem as vê do prisma que as quer ver, nem avaliar é sinónimo de aprender. é preciso comparar. se cruzarmos os dados dessas listas com os internacionais temos uma realidade completamente diferente. é por isso que tudo isto é um absurdo. serve para "vender". sim, a palavra é mesmo essa. as privadas vendem o nome como fórmula de sucesso imediato, as públicas as direcções que são soberbas por conseguirem aqueles resultados. e cento e tal cumprem aquilo que a tutela lá pede. ser coerente entre o que se avalia em escola e os exames nacionais. este ano ainda se somou mais este "parâmetro". mais um absurdo a somar a todos os outros. e se uma escola estiver numa zona socialmente desfavorecida e o seu projecto educativo se centrar na modificação dos valores e cidadania e não nos resultados "científicos" de escolarização obrigatória? isso não importa nada. o ranking não vê isso. vê tudo o resto. menos isso. é por tudo isto que é um absurdo. da origem da palavra. talvez seja preciso um exame comparativo entre o hoje  e o antes para o descobrir. mas é mesmo absurdo. tudo isto. isto tudo...

28/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

cesariny

||| aos que não desistiram...


||| ... há professores que não desistem. que todos os dias procuram mudar as coisas. que teimam em preparar as aulas, em fazer projectos, em acreditar na escola. em dar um abraço aos seus alunos. em conversar para além do tempo das aulas. há professores que procuram soluções, formas, fórmulas, recursos. há professores que tentam vencer o cansaço. o desânimo. as dificuldades. que dizem não às coisas injustas. que estudam. que investigam. que movem montanhas. que levam livros para as aulas. há professores que adoram ser professores. que não queriam ser mais nada. que querem outra escola e vão fazendo por isso em cada aula. e estas linhas são só para eu dizer que sei que eles existem. são meus colegas. nossos colegas. ou somos nós. e estas linhas são só para lhes dizer obrigado. e dizer que ainda bem que eles existem. porque sem eles não há escola nem futuro.

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| you teach, youtube...


||| ... a percepção é simples. a melhor ferramenta "on-the-line" para apoio ao acto de ensinar: o youtube. um vídeo de uns segundo ou minutos, bem escolhido, faz toda a diferença. ilustra. complementa. é simples. está acessível. é partilhado e partilhável. e no entanto não é aí que está a beleza da coisa. é no professor. que escolhe. do meio do "lixo" visual, da imensidão da informação, que selecciona, procura, explora, vê. e ensina isso. porque escolheu aquele e não outro. porque se deteve na forma e no conteúdo. que informação esteve presente no acto da escolha. só o objectivo da mensagem a passar ou a razão pela qual a mensagem tinha que passar aquela informação. e é aí que os miúdos se perdem. porque ver tudo não significa aprender. é só mesmo uma overdose de tudo. que vai do lixo ao fabuloso. mas a distinção é que é quase impossível de ser feita por ser tanto, tanta coisa, tanta forma e tanto conteúdo. e falta algo, essa capacidade de saber limpar o que não serve o propósito e ficar apenas com aquilo que é relevante e significativo. no tempo do acesso é fundamental mudar este paradigma. o acesso não é tudo. é nada. seleccionar é tudo. porque é uma escolha inteligente. num mundo de inteligência que é só informação. fica isto para pensar...

27/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

almada negreiros

||| expliquem lá esta...


||| ... estavam a rir. os miúdos. a aula ainda não tinha começado. naquela conversa que guarda uma ou outra gargalhada mais alta. e entra o professor. "vocês lembram-se que isto é uma escola?" impera o suster do sorriso e do riso. impõem-se o silêncio. é por me lembrar do que é uma escola que não gosto desse silêncio imposto. dessa ideia que a escola é o lugar do "obedecer" sem razão. da ordem que não permite o sorriso. do espaço que não permite a alegria. a escola não é só um lugar sério. deve ser um lugar a sério. mas isso é outra coisa. é uma questão esquecida. da identidade. e a identidade não é feita de obediência. é feita de respeito. rir é o maior respeito de todos. é o lugar que acolhe a alegria. não é o contrário. e esquecer isto é esquecer a razão essência da escola. acolher para aprendizagens únicas e significativas. mas ouvir a palavra "escola" como na frase já referida faz-me pensar que ainda não morreu a ideia da mesma. nem que seja, ainda sem saber bem o que se quer. há uma memória imemorial que prevalece. só falta é acolher uma mudança para o futuro. onde sorrir e rir sejam parte da identidade da coisa em si mesma e não o seu contrário. seria bom, se assim fosse...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| daquele olhar de quem escutou...


||| a rita. escutou. ouviu-me. disse-me em jeito brando: aprendi coisas hoje. e eu sorri. coisas, disse ela. e eu sorri. aprendeu coisas. muitas coisas. os miúdos, mesmo mais crescidos, como digo, chamam coisas ao que aprendem. coisas. como se fossem mesmo, objectos. guardados algures. há nisto algo de fascinante. eu digo sempre que eles querem saber para que serve o que ensino. e eu não estou preocupado com isso. estou preocupado com as coisas da ciência. do servir só para explicar o mundo. perceber que o mundo é tudo o que acontece e aconteceu. e isso faz de mim algo maior do que eu. é como se o saber do mundo fosse passando por mim e eu fosse, quando ensino, somente o fio condutor. não a energia ou algo mais. só o meio que permite o saber ir de um lado para o outro. o saber. essa palavra maldita ou pouco dita na escola. cada vez mais. mas é por isso que existem professores. ninguém, como nós, guarda, preserva e cuida do saber de todos nós. somos antigos magos, ansiães. guardadores dessa coisa única que nos sustem. que nos une. construtores de uma identidade muito mais antiga do que nós e que nos ultrapassará no correr dos dias. fundamento. sustento. base. somos tudo isso em cada aula. em cada momento, como este. em que a rita olhou para mim de olhos brilhantes e disse: hoje aprendi coisas. muitas coisas. e não foi de mim. foi por mim. e ainda bem. 

26/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

pedro tamen

||| até parece que passou um ano lectivo...


||| ... ainda não cheira a fecho da coisa. ainda há afixadas listas e listas de reuniões e coisas por fazer. reparei isso na escola recentemente. de passagem. listas de reuniões. listas de convocatórias. listas. mas o que há é um cansaço maior do que o tempo que o habita. como se fosse já quase o fecho de um ano lectivo inteiro. mas é só o primeiro período. ainda faltam mais dois. e dizem que é preciso ainda compensar. dar mais. fazer mais. porque eles, os miúdos que vão tendo aulas aos quilos, ainda lhes falta umas pedaços mais. para não serem prejudicados. mas só nas importantes. as outras, as disciplinas que não existem, não importa. e cada dia é mais um. um passar contínuo do tempo. porque ensinar é repetir, hoje, pelas salas de aulas. alguns resistem. já procuram justificar que queriam ensinar a pensar. e rematam, a medo, que "não tem nada de revolucionário". é mesmo só querer que eles pensem. e o tempo continua a passar. e a escola desagrega-se como tal. desfaz-se. porque é tudo cheio de tudo. tudo em números incalculáveis. os números de horas em reuniões. as horas de saída da escola quando a noite já vai a meio. o número de conflitos. o número de alunos. o número de aulas. o número de testes para rever. tudo em número excessivo. e só reparamos na falta de tudo o resto quando olhamos para o tempo que passa. e só passou, ainda, o primeiro período. é um dever, uma obrigação, pensar nisto.

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| e os outros? os que querem aprender?


||| ... é cada vez mais uma escola injusta. para os outros. os que ninguém olha. e de quem tudo se espera como adquirido. os "bons" alunos. os "bem" comportados. os "correctos". os resquícios do que era uma turma. em muitos casos, agora, todos juntos nas modernas "turmas de nível". mais. porque os outros são menos. e tudo isto está errado. do não se ver cada um desses miúdos por se esperar o comportamento adequado a turmas que são mais e menos ou definidas por siglas que definem tudo menos a razão da sua criação. e depois, nos momentos finais tudo muda. uma escola exclusiva vestida de inclusão. travesti, já. porque é impossível ser de outra forma ou ter outro nome. e eles, aqueles miúdos que estudam merecem mais. porque ser "bom" aluno nesta escola de hoje é ser estudante e mais nada. boas notas. mesmo que em guetos criados para os "salvar". e ninguém o diz porque há vergonha nisto. nisto, não. em tudo o resto. salvar estes miúdos é resguardar a turma. aninhar. cuidar deles. mesmo que isso seja um erro. porque quando o edifício inteiro se desmorona é preciso salvar alguns. e há tudo de errado nisto. no salvar. e no edíficio. e os outros? os que não são tudo isto? podem continuar a andar por lá, nas siglas que os definem também. são os "vocacionais" ou outras coisas que tais. não. são um erro, as siglas. como o mais. mas é preciso salvar cada um deles de formas diferentes. mas iguais. mais ou menos. e é por isso que cada dia que passa a escola é mais injusta. muito mais injusta. para todos. mais ou menos. 

22/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

antónio nobre

||| que tristeza esta escola...


||| ... que tristeza um professor ir doente dar aulas porque não pode faltar. que tristeza ser cercado de reuniões inúteis que retiram tempo para preparar aulas e pensar novas formas de ensinar. que tristeza o tempo roubado a preencher papéis, registos e actas que nada reflectem a realidade das coisas. que tristeza o tempo roubados aos alunos por ter que se cumprir um programa nem que seja só no papel. que tristeza uma escola sem tempo para o que se aprende fora das portas da sala de aula. que tristeza uma escola onde a arte é tida como entretenimento e os projectos são coisas que se fazem para os outros verem. que tristeza uma escola onde não se diz não por medo. que tristeza a desumanização das coisas com máquinas que substituem pessoas e computadores que medem o tempo ao minuto. que tristeza o lugar do pensamento dar lugar ao lugar da repetição. que tristeza o não-espaço de conversa entre pessoas. que tristeza a má-educação de tantos em tão pequeno espaço. que tristeza a falta de risos e sorrisos nos corredores e nos espaços e a ausência do abraço por medo dos olhares dos outros que somos, também, nós mesmos que nos olhamos com desdém. que tristeza o jardim da escola ser só um jardim. que tristeza...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| foi meu professor, não foi?...


||| ... o contexto era o mais improvável. não-formal. a joana. não me lembrava do nome dela. nem de ter sido professor dela. mas ela, a joana, ganhou coragem e disse: foi meu professor de história no sexto-ano não foi? em são pedro de alva. e sustive a colher de sopa feita por ambos num workshop em que estava a participar e o pensamento voou uns dez, quinze anos. aquela mulher, ali ao meu lado, tinha sido minha aluna. há nisto a beleza de todas as coisas do mundo. e ela lembrava-se de mim. eu não me recordava dela. porque a imagem que guardamos dos nossos alunos é congelada no tempo. e no tamanho. são sempre todos pequenos. ou miúdos. ou rapazes e raparigas. como eles acham que nós só vivemos na escola nós achamos que eles nunca vão ser "grandes". acho que parte da ternura que ainda consigo colocar no acto de ser professor vem daí. dessa inocência incompleta que não sou capaz de perder. eles não vão crescer e ser adultos como eu. porque isso era perder o sonho e eu só queria que eles, pequenos, conseguissem conservar o sonho mais um pouco. ou sempre, se possível. a joana. soube tão bem aqueles minutos. e disse-me que não tinha seguido história porque era de ciências que gostava. que estava fazer doutoramento. e que gostava de cozinhar e por isso estava ali. e estávamos iguais. afinal. eu e ela. éramos só duas pessoas a conversar. como sempre foi. mesmo quando eu tinha o papel de professor e ela de aluna. pessoas a conversar. e soube tão bem, tudo isto. mesmo que só guardado no tempo de uns minutos. despedi-mo-nos com um beijo e um abraço. e ficou ali, mais uma memória. 

19/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

antónio feijó

||| da pergunta por fazer...


||| ... faço-me uma pergunta inicial. o que fazer, chegado aqui? a resposta é sempre a mesma. continuar. dizia isto, uma vez a um aluno meu. agora, digo-o a mim. foi isso que mudou nos últimos tempos. porque me perguntam se perdi a vontade de mudar o mundo. a resposta é não. porque me perguntam mais mil e uma coisas rematando que não esperavam de mim a desistência das coisas do mundo que me define e em que aprendi tudo o que sei. o que faltam são as forças. e isso não é uma ligação directa com a imensa dedicação que coloco no que ensino e como ensino e no que faço e como o faço. são mesmo as forças. e o nevoeiro. e todo o mar em sentido contrário. todo o tempo. sem pausa. nenhuma. e quando se falha ou não se falha mas não se consegue cumprir, e o mundo inverte as coisas, sabemos que é altura de dizer basta. que a luta tem que seguir por outro caminho. ou simplesmente parar. adormecer. tornar-se na mais diluída das coisas e na mais fraca das formas. nunca se deixa de ser professor. nem de ensinar. mas pode deixar-se de fazer tudo isso num sistema em que não se acredita. e fazer tudo isso de outra forma. noutro espaço, noutro tempo. mas, por agora, é mesmo só o cansaço. imenso. imundo. grosso. como o do poema. pesado demais para empurrar-me e à vida também. e sem isso, sem forças, não se pode ensinar. pode, apenas, "funcionar-se". assim seja. até tudo passar. ou não.

||| leituras [im]perfeitas...


||| três coisas sobre indisciplina...


||| ... não será a última vez mas quero fechar aqui um tempo de pensamento e prática de debate sobre a questão da indisciplina. ouvi dito pela professora helena marujo que a indisciplina é um convite à mudança. é preciso saber ouvir isto. e ainda bem. é porque, de facto o é. na visão de sala de aula, também. sou sincero. tenho a minha receita. sempre tive. nunca resulta da mesma forma mas isso é a adequação normal que se faz em tudo. a receita é simples. identidade de aula. regras partilhadas. consistência e coerência. acho que isto devia ter uma visão micro e macro, no espaço escola. a identidade de aula é fundamental. a minha identidade como professor, a minha personalidade, a minha liberdade criativa, a minha metodologia de trabalho, a pedagogia aplicada, a forma como o faço fazem de cada aula e do conjunto de todas as aulas sejam um registo de autor. ninguém poderia dar as minhas aulas. podiam dar o mesmo programa. mas não as minhas aulas. é uma assinatura. uma marca. são aulas com personalidade própria. porque não sou um funcionário, sou um professor e a minha marca como pessoa e como profissional terão que estar sempre presentes. é por isso que os alunos dizem: as aulas do professor x. regras partilhadas são a essência da aula. umas são as minhas. geralmente só uma. o respeito. essa linha é o limite. de tudo. para tudo. e estas linhas ou traços são fundamentais para a percepção do caminho a ser feito em conjunto. daí ao passo seguinte tudo é mais fácil. as regras partilhadas. começam por coisas simples: todos temos que dar os bons dias a todos. e vão até regras de cidadania ou de tomada de decisão em e no colectivo. eu cumpro todas as regras. eles cumprem todas as regras. porque são partilhadas. co-construídas. e não são escritas ou "mandadas". são apropriadas por todos pelos comportamentos naturais. isso faz-se, também, pelo exemplo. por último, a consistência e coerência. assente no hábito a gestão da realidade é feita com permanência dos factores anteriores. nenhum outro se sobrepõe a estes definidos por todos. mesmo aqueles que são gerais na escola. eu sei, é controverso. ainda bem. é por isso que defendo a identidade de escola mais do que regulamentos e coisas que tais. para existir coerência. e pronto. fecho aqui a porta. por um tempo. para falar disto. desta coisa da indisciplina. com esta receita. a minha, que usei anos sem fim. que me definem até como professor. curiosamente...

||| música [im]perfeita...

||| lá vem a pacc...


||| ... ando, cada vez mais distante das coisas mandam fazer aqueles que de ensinar nada sabem. e quando vejo, de regresso, a famosa prova para se aceder a uma lista de possíveis acessos a possíveis lugares em possíveis escolas num impossível sistema montado para afastar da coisa cada vez mais pessoas penso só no desgaste e no mal-trato. é que é mesmo disto que se trata. não pode já ser outra coisa. a inutilidade foi provada. a desvirtuação da coisa deixada a meio ainda mais. e as isenções de cinco anos e coisas que tais deram um ar de completa aberração da coisa em si. mas a mostra pública de poder é outra coisa. "estamos aqui ainda". parece ser só isto que lhes resta dizer. tenham medo que ainda andamos por aqui. para que não haja motins no barco. para que o medo vá, do princípio ao fim do mandato desta equipa ministerial ser a única consistente e feita com qualidade. o medo. de todos. o que estão dentro do sistema. os que estão fora. e os professores que terão que fazer a prova. jogando ainda por cima, desta vez, com as exclusões que a primeira tentativa fez naturalmente. e com isto, tudo, levar à desistência de alguns, ao afastamento de outros e à desolação de mais uns. não se trata de uma prova. trata-se de um instrumento de exercício das funções "lealmente" confiadas. quem dizer o contrário está a ver o sistema por outro ângulo ou coberto pelo nevoeiro. 

17/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

vinicius

||| da inquietação de ser professor...


||| ... ensinar. há nesta palavra toda a nobreza do mundo. é dar o que se sabe. não, não é repetir o que se sabe. nem o que nos mandam dizer. é dar. só assim se é professor. e um país onde ser professor está condicionado a repetir o que se sabe para "eles" ouvirem está ferido de morte. em que ser professor é conseguir colocar as coisas a funcionar, é um país pobre. tão grave como a fome é a ignorância. e a ignorância de uma classe como aquela que devia ensinar e a quem limitam tudo isso a um simples funcionamento do "sistema" é um pais a perder o que sabe. o que é. talvez seja isso o desejado. mas transformar professores em funcionários é algo que se assemelha profundamente a um crime. ensinar. há nesta palavra todo o saber do mundo. não são coisas que se aprendem "levemente". nem que o senso-comum possa transferir para a utilidade da sala de aula. é a ciência. o saber da história. as coisas aprendidas para além do tempo e do modo. todas juntas no pensamento de uma pessoa que o dá. o entrega a outras. para as ajudar a pensar melhor do que ele ou ela o conseguem fazer por serem, como todos, homens e mulheres do seu tempo. é esperar que um dia, algum miúdo, saiba mais do que nós e nos ultrapasse deixando sem palavras ou simplesmente a escutar e aprender. é não dominar, mas libertar. é colocar, no centro de tudo, a única coisa que liberta: o saber. ensinar. falta tanto dizer esta palavra, tantas vezes, em voz alta, para que entre, de novo, no espaço da escola. porque faz falta. muita...

||| leituras [im]perfeitas...






||| música [im]perfeita...

||| a indisciplina existe...


||| ... não, não são casos isolados. e não, não podemos fechar os olhos e esperar que passe. e sim, é preciso, primeiro falar disso. depois, pensar sobre isso. e agir, rapidamente. coerentemente. durante três semanas andei preso a este tema. a indisciplina. e percebi que estamos no limite da lógica, da força, da razão, do conseguir reagir e gerir com as ferramentas que temos. estamos no limite. cansa, demais. desgasta, demais. e já nem o espaço de utopia da escola com todos e para todos está a salvo. os guetos criados [quer por turmas, quer pela lógica de organização do sistema] ampliam a coisa. de fora, da família, chega um modelo social complexo. rasgado. ausente ou descontinuado. a escola não tem identidade para responder a isso. reflecte. como um espelho. dentro das suas muralhas tudo se repete num concentrado de coisas e pessoas. gerir é o que se faz. ultrapassar. tenta-se. e nada faz sentido. pensamos mesmo que já nada funciona. o desgaste é imenso. e ninguém está livre de ter uma situação descontrolada. mesmo sendo o "melhor professor do mundo". e penso, depois de ouvir quase quatrocentos colegas em três semanas. não há receitas mas há técnicas. e a reflexão urge ser feita. para mudar as práticas. num sistema a morrer. não para o salvar. ao sistema. para nos salvar e aos miúdos também. regressar ao básico é preciso. e as palavras uso-as para falar disto: identidade da escola. regras de civilidade. coerência e simplicidade na actuação. o meu triângulo de ouro. que nunca mudou. em que sempre acreditei. é quase um voltar ao básico. mas é nisso que acredito. e não desistir porque são só miúdos. mesmo quando não parece...

12/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

fernando pessoa

||| às vezes, o mundo é mais forte...


||| ... um livro marcou a minha vida. as confissões de uma mulher que duvidava do seu deus em certo ponto da sua vida. madre teresa. aqui, nada há de religioso. é a dúvida que importa. e há dias e pensamentos assim. em que duvidamos se vale a pena. se vale mesmo a pena. arrastar o mundo. falhar. ser acusado de tudo e mais alguma coisa. ficar feliz com uma pequena conquista que ninguém vê. dar uma boa aula. criar um evento para colocar palavras e ideias no centro do debate. errar novamente. ser acusado por todos, novamente. dar a cara, pagar por isso. sorrir a um sucesso com um miúdo de quem não se esperava nada e se esperava tudo. ser olhado como louco. faltar aos que precisam de nós. e hoje a dúvida é maior do que a certeza. e mais do que isso, lentamente se estende uma névoa que define uma decisão. sempre disse que no dia em que me sentisse ultrapassado pelo tempo, este tempo, fecharia as portas. e sinto-me. perdi a capacidade de antecipar o futuro. e isso, na escola. é o mais fundamental de todas as coisas fundamentais. perdi a vontade de mudar o mundo. e isso, na sala de aula, é o que faz mover tudo. perdi a loucura. tudo agora é um peso enorme e a força de empurrar as coisas está perdida nas coisas para fazer. e há dias assim. mesmo que não se diga que há. continuemos, então, porque continuar é preciso. até ao dia em que a porta se fecha, de vez...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| da nobreza do gesto de ensinar...


||| ... a escola já não é escola. mas ensinar ainda é ensinar. será sempre. e eu recuso-me a abdicar desse direito. o de ensinar. porque sou professor. por muito que todo o sistema me transforme num funcionário eu resisto. ensinando. porque não estou numa aula para entreter. porque pedagogia não é sinónimo de facilitar nem didáctica é sinónimo de divertir. porque não estou numa aula para dar, somente, regras de boa educação [e bom senso]. porque acredito, firmemente, que esta não é a sociedade que quero. nem na qual em que quero viver. e só pelo esclarecimento e o conhecimento se atinge a mudança. e a liberdade. e isso faz-se ensinando as coisas do mundo. as coisas que hoje, a humanidade, conhece. sou, por isso, talvez o mais indisciplinado de todos os professores. ensinar é a minha tarefa principal e tudo o que dela me desvie ou distraia fica para segundo plano. devia ser assim. para a escola voltar a ser escola. e cada professor, ser um "ensinador". seria bom...

10/11/2014

||| rebentar com o sistema educativo...


||| ... sempre fui daqueles professores que acredita que o sistema precisa mudar. e mais do que acreditar, tento, todos os dias mudar o sistema por dentro. mas tenho que confessar que hoje dei por mim a desejar que a coisa rebente. que se torne ingovernável. que deixe de fazer lógica a todos os que estão dentro e fora dele. que deixe de ser funcional. que deixe de dar resposta a tudo e a todos. e recentemente disse que gostava que isso, esse "rebentamento" se pudesse dar nas minhas mãos. nas nossas mãos, como professores, hoje. porque se segurámos tudo até aqui, sabemos o que fazer quando for preciso reconstruir a escola. e se, tantos anos depois de começar ainda tento mudar as coisas, sei também que há em mim esse secreto desejo. de ser no meu tempo que verei os professores a serem chamados a reedificar a escola. que tanto precisa de ser refeita. a reedificar o educar e o ensinar. que tanto precisam de ser refeitos. e secretamente, em segredo, hoje desejei isso. mas como amanhã é mesmo outro dia igual a este que agora termina, resta-me continuar a tentar mudar as coisas. mais um dia de cada vez. mais uma coisa, de cada vez. sempre.

||| leituras [im]perfeitas...



||| música [im]perfeita...

||| falar de indisciplina é proibido...


||| ... houve uma frase que ficou em mim. "um professor tem que exercer autoridade. não há como fugir a isto." não foi a frase que me incomodou. foi o contexto em que foi escrita. e em que li. com uma amargura. imensa. e no último mês, restando-me ainda um último encontro com professores, só tenho ouvido e falado disto. e percebi várias coisas. farei, a seu tempo, um balanço aqui. mas apetece-me este desabafo que não é mais do que isso. um desabafo. nunca pensei que falar [criativamente ou de qualquer outra forma] sobre indisciplina fosse tão difícil. e por isso percebo porque tantos [ou todos] fogem de o fazer. é difícil porque é tabu. é difícil porque há "receitas" mas ninguém quer partilhar o que faz e como faz por medo de julgamento dos outros. é difícil porque ninguém tem respostas absolutas, apenas actos, actuações, respostas mais imediatas do que reflectidas. difícil porque é admitir uma certa perda de controlo. difícil porque se cai rapidamente na ideia da autoridade absoluta de um sobre o outro ou o seu contrário. difícil porque admitir que se precisa de ajuda não é para todos. difícil porque há transformações sociais e de organização de escola que entram na equação e não são controláveis. difícil porque é preciso assumir que não se gosta ou quer este modelo social e este modelo de comunidade escolar. nunca pensei, mesmo, que fosse tão difícil. e mais ainda, como é uma experiência vivida quotidianamente a utopia tem que ficar fora da equação neste momento. ninguém consegue ver mais do que o dia a seguir. e isto então é assustador. e porque a procura é mesmo para aquele caso, aquela turma, aquele miúdo. já não nos podemos encontrar para falar disso. tem que ser uma coisa de actuação plena. e é por isso que ninguém quer falar disto. ou poucos o ousam fazer. porque sabem que ninguém vai gostar do que vai ouvir. porque nunca bastará o tempo que vamos ter para o fazer ou a forma como o fazemos poderá, efectivamente, ajudar. porque a ajuda era estar a ajudar, caso a caso, no dia. e ninguém percebe que o urgente é falar disto de que forma seja! colocar na ordem do dia o assunto. e se não tiver sido por mais do que isso já sinto que abri uma porta. e uma porta que precisa de ser escancarada. para se falar em todos os lugares. em todos os tempos. de todos os modos, nisso. na indisciplina. porque é urgente. porque é grave, porque é real e acontece. porque tem hoje uma dimensão inimaginável para muitos. porque é uma realidade presente. nem que seja só por isso, que se use o poder da palavra para abrir essa porta. tenho-o feito. porque é urgente.

06/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

al berto

||| é o cansaço, sim...


||| ... nos rostos, uns dos outros. nas coisas que queremos dizer e faltam as palavras porque a mente está cansada. no gerir milhares de coisas ao mesmo tempo. e os miúdos, impossíveis. e os outros, possíveis, mas para os quais quase não temos tempo para ouvir. as reuniões inuteis intermináveis. tudo, em excesso. como o cansaço que se acumula, dia após dia, num crescendo que retira beleza e força a tudo o resto. e a razão é a distância imensa entre quem manda e quem faz. entre a realidade a política educativa. entre aquilo que era preciso e aquilo que existe. mas o cansaço é maior do que qualquer lógica. seja ela qual for...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| política do medo ou mil e novecentos milhões...


||| ... já uma vez escrevi aqui sobre a forma magistral como este executivo ministerial da educação usa o medo como forma de mando. e assusta. hoje, sentado a tomar o pequeno-almoço vi as notícias. mil novecentos e tal milhões para despedimento de professores. também já aqui falei na política dos coitadinhos. mais vale teres este trabalho e estar sujeito a tudo do que estar no desemprego, foi o discurso de muitos no início do ano lectivo [sim, esse que durou dois meses - e ainda não terminou]. e é esse o mesmo discurso usado no "pequeniníssimo" pensamento: "tens que agradar, não levantes ondas, não incomodes" para teres excelente e para te "renovarem - com sorte" o contrato ou qualquer coisa parecida. este pensamento que vem de outros tempos [acho que do tempo em que d. afonso henriques mandou pagar o direito a ter um país à santa sé] mata tudo e todos. e se a juntar a isto as notícias vindas de parte certa convocam o medo por via do "despedimento" então temos os truques todos bem usados. há nisto uma mesquinhez atroz e inqualificável. pior porque é exercida sobre gente dita esclarecida que se deixa levar nestes cantos de cisne. e pior do que isso porque é um convocar do medo para dentro da escola. na escola e para fora dela. numa desordem, sem verdade nenhuma. sem fundamento ou sustentabilidade [daquelas palavras que eles gostam]. é que de tanto se provocar um medo chega sempre o dia em que as pessoas se espantam. e só desejo que esse dia chegue, urgentemente, depressa...

05/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

al berto

||| ensinar por um preço...


||| ... repor as aulas, em falta. com moderação. ponderação. mas isso não importa. é o custo que importa. com dinheiro para "recuperar" o tempo perdido. só que o tempo é maior do que um custo. é mesmo algo impossível de recuperar. mas esta visão que tomou a escola de assalto é a realidade mais crua em que tudo está transformado. ensina-se ao quilo. ao peso. por número de páginas. por itens cumpridos ou por cumprir. em tabelas de excel cheias de coloridos arranjos [im]perfeitos como se tudo, mas tudo, tivesse um número, um custo, uma medição. e estamos a transformar o saber nessa coisa viscosa e poluída que faz com que tudo deixe, para mim, de fazer qualquer sentido. não sei quantos quilos de matéria dei hoje. nem quanto itens, bem pesados, vendi. um dia falaremos assim. eu sei, estou a exagerar. ou não. porque já estivemos mais longe. e mais do que isso, já conseguimos ver o erro disto tudo muito mais do que agora. vamos lá vender mais uma aula. o sistema que se alimenta de mim, precisa disso...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| do medo da mudança...


||| ... sempre que se faz diferente. sempre que se diz algo diferente. sempre que se provoca algo diferente. o medo, chega. fica. isso não é possível. isso é gozar com as pessoas. isso não se faz. isso desvaloriza a imagem. isso, isto, aquilo. tudo serve de arma de arremesso para travar a mudança. e a escola, lugar que devia ser de vanguarda, definha. e o professor que devia liderar a mudança, torna-se obsoleto. não a pessoa. a função desenhada anteriormente, no tempo em que o saber era, em si mesmo, vanguarda do mundo que mudava. a cabeça, a racionalidade, o pensar. isso sim. o fazer, o mudar, o mover, isso não. a teoria ganha lugar de intocável senhora de respeito. perdeu até a sua origem. o ser sustento. suporte. fundamento. fundação. fundação para a lógica prática. para a mudança das coisas que precisam de mudar. urgentemente. que clamam em cada acto inapropriado, como um convite. e a resistência em vez de diminuir, aumenta. parece até que se gosta do tempo e do modo em que a escola está...

04/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

al berto

||| esconder para apagar...


||| ... como se tudo estivesse normal. deixou de se ouvir falar das escolas e o "início do ano lectivo". dos erros, lapsos, comissões disto e daquilo, do ministro e do ministério. ou o que se ouve já é eco. passou por entre os ecos. ou foi com as primeiras chuvas. retiram-se "para dentro". recolheram-se. o truque é antigo. mas desta vez, pontuado por remate: estamos no caminho certo, para fazer "manchete" num qualquer jornal ou numa qualquer moda "viral" de falar destas coisas do mundo. assusta-me quando assim é. quando se joga com a "comunicação" e a função para gerir as coisas do educar. e ouvia hoje numa rádio no meu caminho entre coisas que os "mercados da educação" e a "economia da educação" está em expansão. mas qual mercado e qual economia? a criada, pensei. diziam que era para ir vender para fora. para os países africanos que falavam ou falam língua portuguesa. mas cá, a venda começa com a destruição da coisa pública. para vender barato. para comercializar tudo. seja um caderno, seja uma escola. e empurrados nisto tudo vivem os professores, os alunos e todos a estes ligados. empurrados de cá para lá como se fosse simples que tudo isto fosse mais um mercado de troca. as pessoas por lugares. os lugares onde já não cabem pessoas mas candidatos. excluídos ou admitidos. como se tudo isto fosse normal. pelo silêncio até parece que é...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| dos professores que são mestres...


||| ... o que faz com que um professor seja um mestre? que magia é essa que mostra a cada aluno que perante si não está mais um "ensinador". está alguém que se eleva com um gesto de mão, uma forma de olhar, uma palavra dita, um saber aprendido para ser ensinado que fica na memória para além do tempo? que poder esse, tão imenso, tão grande, tão perfeito que faz com que tudo seja tão simples que parece quase impossível por o ser, assim, tão claro. tão transparente. serão as horas passadas a aprender para ensinar? será a justiça da palavra dada e cumprida? será o exemplo que ensina tanto com as regras aceites por todos? será a linha invisível que tudo cobre com um manto perfeito de consistência e coerência que clarifica a vida, as coisas e o mundo? ou será simplesmente a maior das humildades e das sabedorias das coisas do universo, reveladas com o poder da palavra que esclarece?

02/11/2014

||| palavras [im]perfeitas...

al berto

||| perder o rumo...


||| ... cruzam-se as conversas. impossível isto assim, como está, na escola. o cansaço é já tão grande como no final de um ano lectivo. é o número de turmas. a burocracia que já se excedeu em excesso de si mesma. a inutilidade das soluções feitas e refeitas. tudo obsoleto. o material e algumas pessoas. o sistema em si. todo ele. o ver o óbvio. que a escola inclusiva exclui cada vez mais. seja pela forma, pela mentira que conta a si mesmo em nome de siglas inventadas sobre conceitos iguais: cef, pief, vocacionais. seja pela cultura social da ignorância. onde o exemplo é sempre aquele mais abominável pela estupidez de tudo. onde o comentário que educa é levado como ofensa ou castração do direito individual do crescimento da criança. e a escola fica por reinventar. cheia de gente com receitas para o fazer. com frases feitas de como o fazer. mas vazia na força para o fazer. atulhada de coisas. de circuitos fechados. de dirigentes que mandam, que não gerem nem coordenam. fazem cumprir. e isto diz só uma coisa. perdemos o rumo. as rédeas e o rumo. nós, aqueles que mais disto sabemos. aqueles de, de facto, disto sabemos. nós, professores, perdemos o rumo e as rédeas. e isso é assustador. verdadeiramente, assustador. porque agora, para as recuperar será preciso muito mais do que tudo o resto que foi preciso para chegar até aqui...