17/11/2014

||| da inquietação de ser professor...


||| ... ensinar. há nesta palavra toda a nobreza do mundo. é dar o que se sabe. não, não é repetir o que se sabe. nem o que nos mandam dizer. é dar. só assim se é professor. e um país onde ser professor está condicionado a repetir o que se sabe para "eles" ouvirem está ferido de morte. em que ser professor é conseguir colocar as coisas a funcionar, é um país pobre. tão grave como a fome é a ignorância. e a ignorância de uma classe como aquela que devia ensinar e a quem limitam tudo isso a um simples funcionamento do "sistema" é um pais a perder o que sabe. o que é. talvez seja isso o desejado. mas transformar professores em funcionários é algo que se assemelha profundamente a um crime. ensinar. há nesta palavra todo o saber do mundo. não são coisas que se aprendem "levemente". nem que o senso-comum possa transferir para a utilidade da sala de aula. é a ciência. o saber da história. as coisas aprendidas para além do tempo e do modo. todas juntas no pensamento de uma pessoa que o dá. o entrega a outras. para as ajudar a pensar melhor do que ele ou ela o conseguem fazer por serem, como todos, homens e mulheres do seu tempo. é esperar que um dia, algum miúdo, saiba mais do que nós e nos ultrapasse deixando sem palavras ou simplesmente a escutar e aprender. é não dominar, mas libertar. é colocar, no centro de tudo, a única coisa que liberta: o saber. ensinar. falta tanto dizer esta palavra, tantas vezes, em voz alta, para que entre, de novo, no espaço da escola. porque faz falta. muita...

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