19/11/2014

||| da pergunta por fazer...


||| ... faço-me uma pergunta inicial. o que fazer, chegado aqui? a resposta é sempre a mesma. continuar. dizia isto, uma vez a um aluno meu. agora, digo-o a mim. foi isso que mudou nos últimos tempos. porque me perguntam se perdi a vontade de mudar o mundo. a resposta é não. porque me perguntam mais mil e uma coisas rematando que não esperavam de mim a desistência das coisas do mundo que me define e em que aprendi tudo o que sei. o que faltam são as forças. e isso não é uma ligação directa com a imensa dedicação que coloco no que ensino e como ensino e no que faço e como o faço. são mesmo as forças. e o nevoeiro. e todo o mar em sentido contrário. todo o tempo. sem pausa. nenhuma. e quando se falha ou não se falha mas não se consegue cumprir, e o mundo inverte as coisas, sabemos que é altura de dizer basta. que a luta tem que seguir por outro caminho. ou simplesmente parar. adormecer. tornar-se na mais diluída das coisas e na mais fraca das formas. nunca se deixa de ser professor. nem de ensinar. mas pode deixar-se de fazer tudo isso num sistema em que não se acredita. e fazer tudo isso de outra forma. noutro espaço, noutro tempo. mas, por agora, é mesmo só o cansaço. imenso. imundo. grosso. como o do poema. pesado demais para empurrar-me e à vida também. e sem isso, sem forças, não se pode ensinar. pode, apenas, "funcionar-se". assim seja. até tudo passar. ou não.

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