10/11/2014

||| falar de indisciplina é proibido...


||| ... houve uma frase que ficou em mim. "um professor tem que exercer autoridade. não há como fugir a isto." não foi a frase que me incomodou. foi o contexto em que foi escrita. e em que li. com uma amargura. imensa. e no último mês, restando-me ainda um último encontro com professores, só tenho ouvido e falado disto. e percebi várias coisas. farei, a seu tempo, um balanço aqui. mas apetece-me este desabafo que não é mais do que isso. um desabafo. nunca pensei que falar [criativamente ou de qualquer outra forma] sobre indisciplina fosse tão difícil. e por isso percebo porque tantos [ou todos] fogem de o fazer. é difícil porque é tabu. é difícil porque há "receitas" mas ninguém quer partilhar o que faz e como faz por medo de julgamento dos outros. é difícil porque ninguém tem respostas absolutas, apenas actos, actuações, respostas mais imediatas do que reflectidas. difícil porque é admitir uma certa perda de controlo. difícil porque se cai rapidamente na ideia da autoridade absoluta de um sobre o outro ou o seu contrário. difícil porque admitir que se precisa de ajuda não é para todos. difícil porque há transformações sociais e de organização de escola que entram na equação e não são controláveis. difícil porque é preciso assumir que não se gosta ou quer este modelo social e este modelo de comunidade escolar. nunca pensei, mesmo, que fosse tão difícil. e mais ainda, como é uma experiência vivida quotidianamente a utopia tem que ficar fora da equação neste momento. ninguém consegue ver mais do que o dia a seguir. e isto então é assustador. e porque a procura é mesmo para aquele caso, aquela turma, aquele miúdo. já não nos podemos encontrar para falar disso. tem que ser uma coisa de actuação plena. e é por isso que ninguém quer falar disto. ou poucos o ousam fazer. porque sabem que ninguém vai gostar do que vai ouvir. porque nunca bastará o tempo que vamos ter para o fazer ou a forma como o fazemos poderá, efectivamente, ajudar. porque a ajuda era estar a ajudar, caso a caso, no dia. e ninguém percebe que o urgente é falar disto de que forma seja! colocar na ordem do dia o assunto. e se não tiver sido por mais do que isso já sinto que abri uma porta. e uma porta que precisa de ser escancarada. para se falar em todos os lugares. em todos os tempos. de todos os modos, nisso. na indisciplina. porque é urgente. porque é grave, porque é real e acontece. porque tem hoje uma dimensão inimaginável para muitos. porque é uma realidade presente. nem que seja só por isso, que se use o poder da palavra para abrir essa porta. tenho-o feito. porque é urgente.

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