22/11/2014

||| foi meu professor, não foi?...


||| ... o contexto era o mais improvável. não-formal. a joana. não me lembrava do nome dela. nem de ter sido professor dela. mas ela, a joana, ganhou coragem e disse: foi meu professor de história no sexto-ano não foi? em são pedro de alva. e sustive a colher de sopa feita por ambos num workshop em que estava a participar e o pensamento voou uns dez, quinze anos. aquela mulher, ali ao meu lado, tinha sido minha aluna. há nisto a beleza de todas as coisas do mundo. e ela lembrava-se de mim. eu não me recordava dela. porque a imagem que guardamos dos nossos alunos é congelada no tempo. e no tamanho. são sempre todos pequenos. ou miúdos. ou rapazes e raparigas. como eles acham que nós só vivemos na escola nós achamos que eles nunca vão ser "grandes". acho que parte da ternura que ainda consigo colocar no acto de ser professor vem daí. dessa inocência incompleta que não sou capaz de perder. eles não vão crescer e ser adultos como eu. porque isso era perder o sonho e eu só queria que eles, pequenos, conseguissem conservar o sonho mais um pouco. ou sempre, se possível. a joana. soube tão bem aqueles minutos. e disse-me que não tinha seguido história porque era de ciências que gostava. que estava fazer doutoramento. e que gostava de cozinhar e por isso estava ali. e estávamos iguais. afinal. eu e ela. éramos só duas pessoas a conversar. como sempre foi. mesmo quando eu tinha o papel de professor e ela de aluna. pessoas a conversar. e soube tão bem, tudo isto. mesmo que só guardado no tempo de uns minutos. despedi-mo-nos com um beijo e um abraço. e ficou ali, mais uma memória. 

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