04/12/2014

||| livros, leitura e antónio botto...


||| ... às vezes tenho momentos que me são oferecidos como privilégio sem o merecer. foi conversar. sobre um livro. acabei a ouvir falar de antónio botto. e falei de antónio nobre. e de miguel torga. e de eça. e das histórias que ouvia em casa sobre escritores e as suas virtudes e pecados. das cartas. do que diziam entre si, em carta. de ter ido ao ccb, pouco tempo depois de abrir ver uma peça de teatro baseada nas cartas de amor de fernando pessoa a ofélia. e o esquecido antónio botto. e o esquecido antónio nobre. mais só, ainda. e lembrei-me de uma aula que dei no porto há quase um ano. e do largo onde está o busto/monumento a antónio nobre. esquecido, ele também. sim, o monumento. e dos alunos não saberem que era. quem tinha sido. um poeta nunca morre. é esquecido. é pior. e esquecemos porque não temos tempo nas aulas para falar deles. dos que não estão no programa. e isto mata a escola. e mata a cultura. e mata a memória. e mata a identidade. e mata o pensamento. quando não há tempo para falar deles. dos que estão para além daqueles que são obrigatórios. é horroroso dizer isto. é obrigatório dar camões. não é obrigatório. é lógico. faz parte de nós. como os esquecidos também fazem. como cesariny. ou natália correia. ou qualquer cientista cujo nome não dizemos porque não tem uma imagem no manual que o recorde. o homem que inventou a iluminação de rua, como me dizia um aluno. estamos castrados na memória pelo tempo que não nos deixam ter para falarmos de tudo o que falta ali, em sala, ser falado. depois surgem as queixas de falta de cultura. da cultura da cultura. que não existe. quando somos nós que, vencidos pela falta de tempo, esquecemos. fazemos esquecer. curioso. curioso que disto seja hoje feita a escola...

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