12/01/2015

||| da insustentável inutilidade da motivação...


||| ... dizem que nunca se deve voltar ao lugar onde se foi feliz. aqui, por exemplo. recomeço. não sabendo por onde recomeçar o que é mais evidente e me salta como urgente é a pergunta. uma pergunta feita. sobre a motivação. estar motivado para aprender não é um estado natural. é o meu ponto de princípio, sempre, em cada aula. é preciso regressar a esse lugar vezes sem conta. porque esse é, na sua essência, o papel último do professor. não, não é motivar. isso é para aqueles que fazem do entretenimento uma profissão. é desenvolver a curiosidade. a vontade de aprender. vontade, não como instrumento mas como método e prática. e retirar da equação o "para quê". não é aprender para "seres alguém". ou aprender para "perceberes as coisas que daqui a cinquenta anos te vão acontecer". é aprender para compreender. para despertar. para perceber. logo, mais tarde, para entender. e há uma confusão crescente nisto tudo. sempre me disseram, quando falava em curiosidade e não em motivação: ah... mas isso é muito difícil. pois é. exige muito mais do que captar a atenção e o silêncio por uns momentos. a construção da curiosidade começa por algo arredado do sistema educativo actual: a escolha. escolher o que se quer perguntar sobre o que se quer saber. o que desperta o interesse. não oferecido, programado ou estabelecido. balizado. balizado no saber a transmitir. num tal "programa" necessário, válido e útil mas integrado e não forçado. esse espaço, essa ligação é muito trabalhosa. e não é para este sistema. porque é imensamente exigente. para o professor e para os alunos. porque o que temos hoje é mesmo essa overdose de motivação, felicidade e coisas afins que não espanta já aqueles que nela cresceram. precisam de um dinossauro quando antes se assustavam com um rato. ou se encantavam com ele. a minha defesa vai sempre ser: curiosidade. sempre. mesmo que seja "impossível". 

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